10 exemplos para você entender como funciona a publicidade comparativa

TL;DR

Publicidade comparativa usa uma referência de mercado para tornar uma diferença de valor visível. Ela funciona quando o público entende o critério da comparação e percebe uma vantagem concreta, como rapidez, formato, experiência ou uma característica do produto.

  • Por que importa: Uma comparação bem escolhida ajuda a explicar por que uma proposta merece atenção em uma decisão concorrida.
  • Como funciona: A peça estabelece um critério claro e mostra como a marca se posiciona diante de uma alternativa conhecida.
  • Na prática: Os exemplos do artigo usam humor, linguagem e situações de uso para destacar uma diferença percebida.
  • Ponto de atenção: A mensagem precisa sustentar a vantagem apresentada; provocação sem valor claro enfraquece a comparação.

Sim, nós sabemos! Ninguém gosta de ser comparado aos outros, mas temos que entender que o mundo dos negócios não é o mesmo que a vida social. Às vezes, nos compararmos com nossos concorrentes é a melhor forma que temos de conquistar clientes.

A publicidade comparativa é uma modalidade que requer talento e criatividade, uma vez que é necessário abordar um tema espinhoso, porém criando com ele uma mensagem lúdica e pacífica.

Para isso é fundamental o poder do humor que, como veremos a seguir, é a ferramenta utilizada na maioria dos casos.

Por esse motivo, neste post cada exemplo citado está vinculado a uma caraterística do Marketing Digital. Afinal, o que nos faz únicos é o valor que agregamos, não é mesmo?

Neste post 1

O que é a publicidade comparativa?

É um tipo de publicidade em que uma marca menciona deliberadamente o seu concorrente ou algum aspecto do mercado para estabelecer uma comparação e demonstrar que é melhor.

Também é conhecida como “publicidade de guerra” ou “contra-publicidade”. Temos 10 exemplos para você entender melhor.

1. Dove vs. sabonete

Começamos com um comercial de 1960, quando a publicidade televisiva estava tomando forma. Nela, podemos ver nitidamente como alguns conceitos são aplicados.

Antes de mais nada, essa peça publicitária amplia a ideia de público-alvo e insinua um translado à experiência do cliente. Podemos, ainda, dizer que também trabalha o conceito de ICP (Ideal Customer Profile), uma vez que se dirige diretamente a um potencial cliente individual.

Em segundo lugar, falando da publicidade comparativa, o comercial estabelece uma clara linha divisória entre o lado de “sabonetes comuns” e o lado de Dove, que é “melhor do que sabonete”.

Como podemos ver, Dove criou uma categoria para se diferenciar, ainda sem referências diretas a outras marcas — mas já se utilizando da publicidade comparativa.

2. Colgate vs. Crest

Mais do que uma publicidade, podemos dizer que esse exemplo é uma aula de Marketing. Nela vemos de forma visual a representação do momento de decisão do cliente. Sem dúvida, demandou um bom estudo de mercado. Dê uma olhada no vídeo e veja que o objeto principal é uma balança.

Esse é um excelente exemplo de conteúdo do fundo do funil. Essa joia publicitária consegue captar e dar forma ao preciso momento em que um valor agregado pode fazer a diferença na hora da tomada de decisão.

3. Pepsi e Coca-Cola vs. Soda Stream

Até algum tempo atrás, estávamos bastante acostumados às publicidades comparativas entre Pepsi e Coca-Cola, até que surgiu a ideia que ameaçou pôr em risco todo o mercado de refrigerantes: uma máquina que permitia gasificar água potável para obter soda.

O mais interessante foi que Soda Stream utilizou essas publicidades comparativas para satirizar (de uma vez só) seus dois grandes concorrentes. O tempo passou e a ideia não conseguiu conquistar o mercado, mas deixou essa interessantíssima peça publicitária.

4. McDonald’s vs. Burguer King

Outra clássica briga de gigantes que, nesse caso, nos ensina a ter confiança na nossa vantagem competitiva.

Se a sua filosofia de vendas é ser o líder em comida rápida, a velocidade será mais importante do que o tamanho. Como você verá na campanha, não só rápido para comer, mas também rápido para chegar até ele.

5. Mac vs. PC — a persona negativa

Se você quiser entender sobre personas, esse é o melhor exemplo. Nessa publicidade comparativa, a Macintosh colocou sua persona como representação do produto e criou várias situações em que ela dialoga com a personificação de um PC.

É simplesmente genial a forma como a empresa conseguiu criar muitos exemplos vinculados à experiência do cliente.

6. McDonald’s vs. Bob’s

A história toda começou quando o McDonalds fechou um acordo com o Ovomaltine e agora a rede também apresenta o sabor entre suas opções de milkshake.

No entanto, o Milkshake de Ovomaltine é a marca registrada do concorrente, Bob’s — o que não passou desapercebido pelo público:

Prontamente, o Bobs começou uma série de posts alfinetando o rival e sua estratégia:

O número de comentários, compartilhamentos e likes de um dos posts do Bob’s ganhou em engajamento em comparação com o post revelação do McDonalds — que gerou menos da metade, com “só” 27 mil reações, 2.451 compartilhamentos e muitas críticas.

Outras grandes empresas de fast-food aproveitaram o buzz e obtiveram ótimos resultados com posts inteligentes sobre  a treta!

Até o KFC, uma rede que aos poucos tem tentado mercado no solo brasileiro, fez um post a respeito:

7. Duracell vs. Energizer — a energia sublime

Tem coisas que só Freud explica e esse é o caso da publicidade subliminar. Existe uma linha tênue pela qual caminha esse tipo de marketing e a maioria das vezes ela se relaciona a simbolismos sexuais que geralmente causam polêmica.

Sim! Exatamente isso que você está pensando: estamos falando dos coelhos rosas de Duracell e Energizer!

Em 1983, quando a Duracell lançou seu coelho de estimação, estávamos no auge da publicidade subliminar. Energizer descobriu a estratégia e anos depois também lançou um coelho criando, talvez, o primeiro caso de publicidade subliminar sem sutilezas.

Analisando: o coelho representa a capacidade reprodutiva, e o produto (a pilha) representa a solução para prolongar essa experiência.

A Duracell teve a ideia inicial e Energizer simplesmente copiou o símbolo, aumentou o tamanho do seu tambor e acrescentou o slogan: “going on, going on, going on”.

8. Honda vs. Smart

Você é copywriter e cobra por palavra? Então deve aprender com esse publicitário que faturou uma boa soma utilizando apenas duas (Smart e Smarter). Isso mostra a força das palavras, nesse caso de um sufixo: er.

O sufixo er em inglês significa “mais”, por exemplo, se fast quer dizer “rápido”, faster significa “mais rápido”. Se aproveitando de um hábil sentido de humor e linguagem, os publicitários da Honda tomaram o modelo do carro Smart e o compararam com uma moto Honda.

Basicamente quiseram dizer que o grande produto que inventaram já existe: e é uma moto. Muito inteligente!

9. Samsung vs. Apple

Se tem alguma coisa que está fazendo a diferença no Marketing é o storytelling. É por esse motivo que incluímos este exemplo nessa lista: como seria se no lugar de comparar produtos comparássemos histórias de vida?

Em 2012 a Samsung lançou essa belíssima publicidade sobre tecnologia digital, na qual compara ao longo do tempo as experiências de um casal que utiliza diferentes marcas de celular.

10. Blim vs. Netflix — a batalha dos conteúdos

Para finalizar, nada melhor do que falar de conteúdos, que é o que mais gostamos. Para isso trazemos o exemplo de um diálogo de anúncios entre Blim e Netflix, que passou para a história da publicidade comparativa no México e teve uma excelente aceitação por parte do público do país.

A Netflix publicou uma peça satirizando a saída de alguns dos seus conteúdos da sua plataforma e a Blim criou uma resposta com as mesmas personagens. Dê uma olhada e você entenderá que nesse caso a publicidade comparativa também pode ser complementar.

Chegamos ao fim deste artigo, no qual não só falamos de publicidade comparativa, mas também de muitos outros assuntos relacionados ao Marketing. Por isso, lembre-se: a melhor forma de se sair bem de uma comparação é agregando valor.

Se quer continuar aprendendo, leia nosso artigo sobre publicidade nativa. Boa leitura!

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre publicidade comparativa e ataque ao concorrente?

Uma comparação é avaliável quando mostra um critério reconhecível. No exemplo da Dove, a marca se coloca na categoria “melhor que sabonete” diante dos sabonetes comuns, criando uma diferença de posicionamento. No caso de McDonald’s e Burger King, a campanha usa velocidade como critério ligado à proposta de comida rápida. Um ataque sem critério deixa o público sem base para avaliar a escolha.

Como escolher o aspecto certo para comparar?

Escolha um aspecto ligado à decisão que o produto tenta influenciar. Para uma oferta cuja proposta é rapidez, o artigo usa a velocidade de chegar e comer como referência; para a Dove, a comparação vem da categoria que a marca cria. O critério precisa ser simples de reconhecer e mostrar por que aquela diferença importa no contexto da compra.

Por que o humor aparece tanto em campanhas comparativas?

O humor pode tornar uma referência concorrencial mais leve e memorável, especialmente quando a campanha trabalha com linguagem ou com uma situação cotidiana. Ele ajuda a reduzir o tom de confronto, mas não substitui a ideia central. A pessoa ainda precisa entender qual diferença a marca está colocando em evidência e por que ela é relevante.

MM Matt Montenegro