Microsoft x Google: Inteligência Artificial promove disputa entre gigantes e preocupa profissionais de SEO

TL;DR

Recursos generativos mudaram a experiência de busca, mas o Google afirma que as práticas fundamentais de SEO continuam relevantes para seus recursos de IA. O foco verificável permanece em acesso técnico e conteúdo útil, confiável e criado para pessoas.

  • Por que importa: Não existe uma disciplina separada que garanta presença nos recursos de IA.
  • Como funciona: Os sistemas ainda dependem de páginas acessíveis e conteúdo compreensível.
  • Na prática: Priorize utilidade, originalidade e clareza para o leitor.
  • Ponto de atenção: Boas práticas não garantem indexação, exibição, cliques ou ranking.

Se você acessou as redes sociais nos últimos dias, provavelmente já está por dentro das notícias sobre ferramentas de Inteligência Artificial (I.A.) que estão movimentando o mercado.

De um lado, a Microsoft vai investir pesado na tecnologia do ChatGPT, chatbot de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI, que deve ser incorporado ao serviço de buscas Bing. Do outro, o Google se adiantou em anunciar o Bard, chatbot inteligente que deve integrar o Google Search em um futuro próximo.

No meio dessa disputa, estão os usuários, profissionais de SEO e marcas. Todos de olho nas consequências que essa mudança pode trazer para o dia a dia, para estratégias de Marketing de Conteúdo e para os negócios.

A seguir, falo sobre o que a implementação de inteligência artificial nos mecanismos de busca pode significar para o futuro do SEO e como marcas e profissionais podem se preparar.

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Tudo começou com o ChatGPT

O ChatGPT surgiu no final de 2022 como um modelo de linguagem de inteligência artificial treinado pela OpenAI. A ferramenta pode ser usada em aplicativos de conversação, sistemas de assistência virtual e em muitas outras aplicações nas quais a interação humana com o texto é importante. 

Chatbots inteligentes não são novidade. No entanto, o ChatGPT chamou a atenção de toda a internet pela capacidade de gerar textos coerentes e responder a perguntas sobre uma enorme variedade de tópicos, tudo de forma natural.

E, é claro, a novidade atrairia a atenção das gigantes da tecnologia. Recentemente, a Microsoft anunciou o investimento de US$10 bilhões na dona da ferramenta, com o objetivo de integrar o modelo a seu mecanismo de buscas, o Bing.

E se o ChatGPT já movimentou o mercado, a versão turbinada do Bing pode significar uma revolução ainda maior na forma como encontramos informações online. A tecnologia incorporada pelo mecanismo é ainda mais poderosa que o GPT-3.5, modelo atual do ChatGPT. Isto porque deve contar com uma versão mais atualizada e evoluída da I.A., o GPT-4.

Google entra na disputa

O Google não poderia ficar para trás. A empresa está em alerta desde o ano passado, já que o lançamento da tecnologia do ChatGPT poderia representar uma ameaça à sua liderança no mercado de buscas online.

Poucos dias antes do anúncio oficial da Microsoft a respeito do futuro do Bing, o Google anunciou o Bard. Trata-se de um chatbot semelhante ao da OpenAI, porém, com a tecnologia LaMDA, do próprio Google. 

A empresa não deu muitos detalhes sobre as funcionalidades e o poder do Bard. No entanto, compartilhou que pretende disponibilizar o acesso para o público nas próximas semanas. O que sabemos é que a empresa investiu U$300 milhões na companhia de Inteligência Artificial Anthropic, fundada por ex-pesquisadores da OpenAI.

Aparentemente, a briga vai ser boa, considerando o histórico de rivalidade entre as duas empresas e a importância que a incorporação de um chatbot inteligente pode significar para os mecanismos de busca como conhecemos hoje.

O futuro dos mecanismos de busca

Todas essas notícias não impactam somente os investidores da Microsoft e do Google. Avançar na incorporação de inteligência artificial a mecanismos de busca de forma eficiente pode trazer a próxima grande revolução da internet.

A forma como lidamos, hoje, com buscas online pode mudar completamente. Os resultados de pesquisas serão mais curtos, simples e objetivos. A experiência será mais humanizada, já que terá como base a linguagem natural. Além disso, teremos mais agilidade na busca de respostas específicas.

Mais do que ter uma resposta rápida e certeira, esse tipo de ferramenta inteligente pode ser associada a diferentes atividades do nosso dia a dia, seja para a nossa vida pessoal, seja para atividades relacionadas a nossa rotina de trabalho.

Será possível resumir artigos, mudar o tom de voz de textos, construir listas, escrever pedaços de código… As possibilidades são literalmente infinitas.

No entanto, nem tudo são flores. Assim como o ChatGPT, o Bing nem sempre acerta a resposta. É possível ver a ferramenta fugindo do tema proposto e até trazendo informações inverídicas sobre determinado assunto ou notícia.

Outra questão polêmica está relacionada aos direitos autorais dos conteúdos que servem como fonte para o mecanismo da I.A. Isto porque, chatbots como o ChatGPT utilizam conteúdos já existentes como base para criar suas respostas. No entanto, parece ser impossível detectar plágio ou ter certeza da fonte das informações utilizadas.

Aparentemente, a tecnologia ainda tem um longo caminho pela frente. Mas, a julgar pelo início, já pode ser considerada revolucionária.

Como se preparar para o futuro do SEO

Se existe uma tecnologia capaz de criar conteúdo e trazer respostas (quase) satisfatórias, como fica o futuro do SEO e das marcas que querem atrair cliques na primeira página dos mecanismos de busca?

A seguir, trago algumas dicas e possíveis tendências que devem ser consideradas neste contexto por profissionais que querem se adiantar às mudanças.

Ofereça o que a inteligência artificial não consegue entregar

A I.A. é boa em entregar aquilo que consegue encontrar na internet. Por isso, focar em conteúdos mais humanizados pode ser uma boa saída para marcas que querem se destacar e atrair mais visitantes.

Para isso, pode ser interessante explorar experiências individuais, trazer novos olhares para determinado assunto e focar em conteúdo exclusivo. Ofereça o que o público não consegue encontrar em nenhuma outra página.

Foque cada vez mais na qualidade

Não canso de repetir: qualidade é peça fundamental de uma boa estratégia de SEO. Os chatbots baseados em linguagem natural imitam muito bem a linguagem humana, mas — pelo menos até agora — não são excelentes nessa função.

Você já passou pela experiência de fazer uma pesquisa no Google e se deparar com dezenas de artigos que falam a mesma coisa, mas com palavras diferentes? Pois bem, criar conteúdo de qualidade vai te diferenciar dos concorrentes e, possivelmente, das inteligências artificiais.

Por isso, invista na criação de conteúdos de qualidade, escritos com base em pesquisa, por profissionais experientes, que dominam assuntos específicos e técnicas de SEO e conversão.

Produza conteúdo de nicho

Uma tendência que está em alta no Marketing de Conteúdo e pode ser uma boa estratégia neste contexto é a produção de conteúdos nichados, direcionados para públicos e setores específicos.

Por exemplo, ao invés de escrever apenas sobre “X benefícios de Y para o mercado”, escreva de forma mais direcionada, sobre “X benefícios de Y para o mercado Z”, e assim por diante. Ser mais específico pode te ajudar não apenas a atingir o público certo, mas se destacar dos chatbots inteligentes, que tendem a ser mais generalistas.

Teste, teste e teste

Por fim, mas não menos importante, teste! Ainda não conhecemos todas as implicações que a inteligência artificial irá trazer para o SEO. Será que o Google vai perder a liderança do mercado de mecanismos de busca? Existirão novas regras de SEO para otimizar sites? Como ficará a disposição dos links na SERP?

Ainda não temos a resposta para essas e outras perguntas. No entanto, ter um pensamento estratégico e entender o mercado são diferenciais que vão continuar valendo independentemente do que o futuro nos reserva. Portanto, acompanhe as mudanças, entenda as possibilidades e coloque em prática aquilo que você acredita que pode trazer bons resultados. 

A internet já passou por diversas transformações e incorporou novas tecnologias ao longo dos anos. Mesmo tratando-se de uma mudança que promete revolucionar o mercado, sempre existirão formas de aproveitar as novidades.

Inclusive, aproveite a inteligência artificial para otimizar a sua estratégia e o seu processo, mas não abra mão dos diferenciais que apenas a inteligência humana consegue oferecer. Afinal de contas, por que o usuário clicará no seu site para consumir conteúdo criado por I.A. se os mecanismos de busca já irão entregá-lo no topo dos resultados?

Perguntas frequentes

É preciso fazer um SEO especial para os recursos de IA do Google?

A orientação atual não cria uma otimização paralela para essas experiências. Cuide da acessibilidade técnica da página e da utilidade do material oferecido ao público em cada consulta. Mesmo assim, não há certeza de indexação, citação ou presença em uma resposta gerada.

Que tipo de conteúdo deve orientar a estratégia?

A documentação do Google recomenda informação útil e confiável criada para beneficiar pessoas, em vez de material produzido para manipular rankings. Avalie se o conteúdo responde à necessidade do público com clareza, experiência e contexto. Não trate uma recomendação isolada como garantia de desempenho.

A busca com IA elimina os fundamentos de SEO?

Não segundo a orientação atual do Google. Os fundamentos permanecem aplicáveis mesmo quando a interface inclui recursos de IA. Estados de produto e nomes usados em 2023 são históricos; revise a documentação vigente e teste o que os usuários realmente encontram sem prever participação de mercado, tráfego ou posições.

MM Matt Montenegro