A história da LEGO: de blocos de madeira à marca mais valiosa do mundo
Em 2015, a LEGO foi eleita pela reconhecida consultoria de negócios Brand Finance como a marca mais valiosa do mundo, substituindo a Ferrari. A empresa mantém o posto até hoje, à frente de players poderosos como Google, Nike, Visa e Disney, com o valor aproximado de 7,5 bilhões de dólares. Mas nem sempre foi assim. No início, Ole se dedicava à construção de móveis de madeira. Porém, com a crise que assolou a Europa, ele tentou reduzir os custos de produção, reproduzindo os mesmos objetos em escalas menores. Até que um dia, teve a ideia de criar algo para divertir seus dois filhos pequenos: surgia o primeiro caminhão rústico da empresa. Apesar do início das operações ter começado dois anos antes, foi apenas em 1934 que a empresa passou a ser chamada de LEGO. O nome é a junção das palavras “leg” e “godt”, que juntas formam a expressão dinamarquesa “brincar bem”. A chegada da década de 1950 trouxe uma revolução para a empresa. A partir daquele momento, o material utilizado deixou de ser a madeira e passou a ser o plástico. Nessa época, foram desenvolvidos os primeiros blocos de encaixe, também chamados de tijolos. No mesmo período, o filho de Ole, Godtfred assumia um importante cargo na direção do negócio. Foi o próprio quem iniciou as pesquisas em busca de um brinquedo com um sistema que abrangesse todas as faixas etárias. Ali foi plantada a semente do mundialmente conhecido LEGO System (Sistema LEGO). Basicamente a ideia era proporcionar diversão ilimitada, na qual fosse possível reinventar a brincadeira por meio da montagem de blocos. Como sabemos hoje, Godtfred teve sucesso nessa empreitada. A seguir, na década de 1960, com as contas estabilizadas, a marca aterriza nos Estados Unidos. Aos tijolos, são incorporadas rodas, o que propicia a construção dos primeiros veículos. Ainda nesse período, é inaugurada a primeira LEGOLAND. Os anos 1970 são considerados o período de franca expansão do produto. Agora, linhas voltadas para meninas e outros transportes, como barcos, navios e naves espaciais eram comercializadas. Nessa época, também foram lançados as primeiras miniaturas de pessoas, os consagrados bonecos de LEGO. Há também uma nova transferência de direção, agora para Kjeld, neto de Ole. Em 1980 a empresa sofre algumas mudanças relevantes. Linhas educativas e voltadas a bebês são lançadas. Nascem também os castelos de blocos, cavaleiros medievais e piratas. Na década seguinte, categorias de modelos em miniatura são reveladas ao mercado. Logo no início dos anos 1990, torna-se uma das dez maiores empresas de brinquedos do mundo. Mas o evento mais importante aconteceu em 1999: o início da era dos produtos licenciados, com a franquia Star Wars. Além disso, nos anos subsequentes, outras linhas importantes se juntaram a ela, como:- O Senhor dos Anéis;
- Harry Potter;
- Jurassic Park;
- Indiana Jones;
- Tartarugas Ninja;
- Minecraft;
- Warner Bros;
- Speed Racer.
- Fox (Os Simpsons);
- Marvel (Homem-de-Ferro, Homem-Aranha etc);
- DC Comics (Batman, Super-Homem etc;
- Disney e Pixar (Mickey Mouse, Ursinho Pooh, Toy Story, Carros etc);
- Cartoon Network (As Meninas Superpoderosas, Ben 10 etc);
- Nickelodeon (Avatar, Bob Esponja etc);
- Columbia Pictures (Angry Birds, Os Caça-Fantasmas).
LEGO e o marketing de conteúdo: construindo blocos de sucesso
Você provavelmente se impressionou com a história contada acima. E deve estar se perguntando: “Afinal, como a LEGO conquistou tudo isso?”. É claro que são muitas as variáveis e tomadas de decisão que influenciam no sucesso de uma empresa. Apesar disso, o marketing de conteúdo certamente é o bloco fundamental na parede construída pelo império da marca que sobreviveu a dois incêndios e várias vezes esteve próxima à falência. Vamos descobrir como essa estratégia solidificou a presença da LEGO nas mentes e nos corações dos consumidores?A maior peça de conteúdo já criada
Em 2014, as vendas da LEGO subiram 11%. Enquanto isso, a principal rival, a Mattel, apresentou índices negativos de desenvolvimento. Mas por quê? Muito desse sucesso é creditado ao lançamento do filme “The LEGO Movie”, que sozinho gerou quase 500 milhões de dólares. Parece óbvio, mas depois de assistirem à película com seus personagens favoritos, as crianças corriam às lojas para comprarem brinquedos. Em sua coluna no jornal The Guardian, Pablo Smithson, diretor de campanhas da Red Rocket Media, chama a obra de “o pedaço definitivo de marketing de conteúdo”. Segundo ele, a mensagem da marca diz muito mais do que apenas “compre nossas coisas”. Neste outro artigo, no canal The Mission na plataforma Medium, o título diz tudo: “5 razões pelas quais o The LEGO Movie é o maior exemplo de conteúdo de marca de todos os tempos”. Entre os principais motivos, destacam-se a atemporalidade e o direcionamento para o público jovem, mas também para aqueles que acompanham a marca há muitos anos. Tudo articulado para ser uma diversão para pais e filhos. Tudo isso sem falar sobre o produto em si. Essa, talvez, seja a maior dificuldade de empreendedores brasileiros, que acham que a única forma de vender é dizendo para as pessoas o quanto seus produtos e empresa são bons. O lançamento ainda serviu como alavanca para as mídias sociais da empresa. Com o filme, as redes da empresa apresentaram os seguintes resultados:- aumento de mais de 100% no engajamento no Instagram;
- número recorde de retweets;
- mais de 4 milhões de novos seguidores no Facebook.