Consumismo no Brasil: entenda o que realmente é e conheça o panorama no país

TL;DR

Consumismo no Brasil, neste post, começa na diferença entre consumo planejado e compra por impulso ou alívio. O panorama traz pesquisa SPC/CNDL sobre compras como lazer e como forma de reduzir estresse nas classes A e B.

  • Por que importa: misturar os termos atrapalha educação financeira e leitura de mercado.
  • Como funciona: consumo atende necessidade planejada; consumismo desloca a compra para desejo e hábito.
  • Em números: cerca de 3 em cada 10 consumidores teriam as compras como lazer favorito.
  • Em detalhe: 40,2% dos entrevistados A/B admitem comprar para reduzir estresse cotidiano.
  • Conclusão: o fechamento aponta educação financeira precoce para reduzir o consumismo.
Quando você vai ao shopping, consegue resistir às promoções e aos descontos? Já comprou aquele produto novinho só porque estava com um preço mais em conta? Ou você é mais controlado e só compra aquilo que realmente tem necessidade, ou seja, aquilo que já tinha planejado antes de visitar a loja? Esses são, basicamente, os 2 perfis que caracterizam a diferença entre consumismo e consumo. Apesar de serem termos tão próximos, têm significados bastante distintos e que podem gerar algumas confusões. Por isso, preparamos este post buscando eliminar as suas dúvidas sobre o que de fato é o consumismo, além de mostrar qual é o atual panorama do consumismo no Brasil. Confira:
Neste post 4

O que é consumo?

Atualmente, o consumo está mais relacionado ao seu sentido econômico: o ato de comprar levando em consideração as nossas necessidades. Ele remete aos tempos em que as pessoas começaram a se organizar em cidades, quando faziam trocas comerciais para conseguirem abrigo, comida, água, roupas e outros suprimentos dos quais realmente precisavam. O consumo simplesmente faz parte da nossa sociedade. Acontece que, com os acontecimentos da Revolução Industrial, tivemos a modernização dos processos de produção, mudanças no transporte e circulação de bens (e pessoas) e a potencialização das vendas em massa. Foi uma transformação para as relações de consumo. As economias industriais passaram a se expandir e os salários dos trabalhadores aumentaram gradativamente. Esses trabalhadores agora poderiam acumular renda e consumir bens, ajudando os negócios a prosperarem. Esse é o ciclo característico do sistema capitalista, e o consumidor é a peça-chave dessa engrenagem. Por esse motivo, é tão comum dizermos que vivemos em uma sociedade do consumo. Contudo, à medida que os consumidores foram se distanciando dos meios de produção, passaram a se alienar também em relação ao real valor dos bens e à necessidade em adquiri-los. E foi dessa alienação que o consumismo começou a aparecer.

O que é consumismo?

O consumismo é o hábito de adquirir produtos e serviços sem precisar deles. É a compra pelo desejo, e não pela necessidade. Geralmente, é marcado pelas compras por impulso e estimuladas pela ansiedade. Em casos mais graves, pode vir a se tornar uma compulsão. Além disso, o consumismo está ligado à noção de que comprar mais vai trazer sensações de felicidade e prazer momentâneo. É também resultado da influência de propagandas abusivas, que insistem em relacionar o consumo à felicidade e, muitas vezes, criam uma imposição de necessidades, mostrando como certos produtos ou serviços são capazes de tornar a vida das pessoas melhor. O maior problema surge quando o consumismo fica tão intenso que evolui para um comportamento compulsivo. Por exemplo: há quem use as compras como um gatilho para ajudar a melhorar o humor e, por isso, frequentam o shopping sempre que se sentem estressados ou angustiados. São consumidores que precisam de ajuda, porque muitas vezes se endividam devido à falta de planejamento financeiro e de prioridade de despesas. Inclusive, o consumismo tem uma outra face — também problemática —, que é o consumismo infantil. Quando os produtos são associados a brindes, a personagens famosos ou a campanhas de publicidade que focam em despertar a atenção das crianças, os pequenos conseguem facilmente influenciar a decisão dos pais, especialmente em datas comemorativas. Mas sabemos que não é só no Dia das Crianças e no Natal que os consumidores compram além do necessário. O Dia das Mães, o Dia dos Pais e o Dia dos Namorados também são exemplos de datas em que as pessoas se sentem induzidas a irem às compras.

Qual é o panorama do consumismo no Brasil?

De acordo com um estudo do SPC e da CNDL, cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil consideram as compras como o tipo de lazer favorito. Esse levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas descobriu, ainda, que 40,2% dos entrevistados das classes A e B admitem que comprar é uma forma de reduzir o estresse do cotidiano. Em um outro estudo, realizado pelas mesmas instituições, revelou-se que as classes C, D e E são as que mais compram sem necessidade, motivadas por promoções. São números que deixam claro o quanto o consumismo está presente entre os brasileiros e que esse comportamento do consumidor ocorre em todas as classes sociais. Mas por que ele ocorre? Conforme a nossa sociedade foi criando padrões de comportamento que demonstram o quão bem-sucedido um indivíduo é — padrões esses reforçados pela mídia —, pessoas de todas as classes sociais passaram a ter vontades semelhantes em relação aos “sonhos de consumo”. Porém, o acesso aos bens de consumo mais caros não é tão simples para os grupos de baixo poder aquisitivo, que acabam gerando despesas superiores ao rendimento quando querem satisfazer esses desejos. De certa forma, podemos dizer que o consumismo ajuda a acentuar a diferença de classes no nosso país. Será, então, que existem maneiras para frear o consumismo?

Como reduzir o consumismo?

O gerenciamento das finanças pessoais e o consumo responsável devem ser ensinados desde cedo às crianças. Pais que não demonstram esses valores ou dão o mau exemplo de comprar sem pensar podem influenciar os filhos a se tornarem consumidores irresponsáveis e com uma educação financeira ruim. Portanto, antes de qualquer gasto, faça estas perguntas para si mesmo:
  • tenho condições financeiras de comprar esse bem?
  • eu realmente preciso desse produto/serviço?
  • tenho outra compra com prioridade maior que esta?
  • posso esperar para realizar essa compra ou ela realmente tem necessidade imediata?
  • existe um produto com a mesma função, mas que seja mais durável?
  • a empresa da qual estou comprando e o fabricante têm boas práticas no mercado?
  • quais serão os impactos da minha compra para mim, para a minha família, para a sociedade e para o meio ambiente?
  • a promoção vale a pena ou há outras lojas que vendem a um preço ainda mais barato?
Dessa forma, teremos consumidores mais conscientes e que saibam tomar decisões corretas durante as compras. É melhor não só para a saúde financeira, mas para a sociedade como um todo. Curtiu o nosso post sobre o consumismo no Brasil? Tirou as dúvidas sobre as diferenças entre consumo e consumismo?  

Perguntas frequentes

Como o artigo separa consumo e consumismo?

Ele parte de dois perfis no shopping: quem compra só o planejado e quem cede a promoção e novidade sem necessidade. Esse contraste define a diferença entre consumo e consumismo no texto. A sequência depois explica cada conceito e o panorama brasileiro.

Quais dados brasileiros o texto cita sobre compras como lazer?

Segundo estudo do SPC e da CNDL referido no post, cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil consideram as compras o tipo de lazer favorito. O levantamento ancora o panorama emocional do consumo. Trate o percentual como achado da pesquisa citada no artigo, sem assumir atualização automática.

O que a pesquisa diz sobre comprar para aliviar estresse?

No mesmo eixo SPC/CNDL, o artigo afirma que 40,2% dos entrevistados das classes A e B admitem que comprar é uma forma de reduzir o estresse do cotidiano. O recorte é de classe e de autodeclaração. Não generalize o índice para todo o país sem nova fonte.

MM Matt Montenegro