Trabalhar aos fins de semana é um direito seu. E pode ser muito bom

TL;DR

Trabalhar aos fins de semana, no ensaio, pode ser escolha consciente e útil. Atraso na semana não é a única leitura possível. O autor relata produzir sábados e domingos desde 2010 para limpar e-mail, organizar agenda e pensar temas difíceis.

  • Por que importa: ritmo pessoal nem sempre cabe no horário comercial padrão.
  • Na prática: use o fim de semana para tarefas de clareza (caixa de e-mail, agenda, conversas difíceis).
  • Ponto de atenção: desligar por completo pode ser direito ou política, mas o texto diz que não é obrigação universal.
  • Sim, mas: a escolha não deve prejudicar regras da empresa, família ou limites de saúde.
  • Conclusão: trate o hábito como design de energia, não como moral do workaholic.

Atreva-se a dizer em público que “tirou o fim de semana para trabalhar” e espere por uma saraivada de críticas: “Você é louco?!”, “eles não te pagam para isso!” e “só trabalha de fim de semana quem não dá conta na semana!”, entre outras. Mas como tudo na vida é escolha, e na seara corporativa não seria diferente, optar pelos dias dedicados teoricamente ao descanso pode ser bom. Aliás, muito bom.

Apesar dos olhares enviesados e da pecha de workaholic, lembre-se que você está no seu direito. Produzir não é demérito e, assim como existem aqueles que performam de noite, de manhã ou de tarde, e até aqueles que deixam 18 horas de seu dia na empresa cheios de orgulho, o seu caso pode ser diferente.

Há médicos, inclusive, que dizem que produzir aos fins de semana é saudável, em certa medida. E eu acredito.

Em 1997, ainda no milênio passado, quando fui convocado para meus primeiros plantões na Rádio Jovem Pan, lamentava por estar perdendo bons momentos com amigos. A lógica da rádio e do jornalismo, entretanto, era simples e óbvia: uma emissora de rádio não pode parar, por isso é preciso revezar-se para que todos tenham direito à vida. Aos 23 anos, não demorei a aceita-la.

Assim foi por três anos. E depois por mais oito no Jornal da Tarde e por outros três na Rádio BandNewsFM. Quatorze anos de plantões sem nenhuma falta – uma vida, convenhamos.

Plantões podiam ser chatos e restritivos por vários lados, mas ótimos por outros. Uniam equipes, permitiam que nos revezássemos nas funções, nossa responsabilidade aumentava e, de quebra, aguçavam nosso olhar para temas que a semana atropelava.

Pra falar a verdade, depois de um tempo, comecei a perceber que aqueles momentos de plantão, mesmo longe da leveza de um sábado despreocupado, me faziam enxergar o trabalho sob outra luz. Era como se, nessas horas, a experiência “batizada” pelo silêncio do fim de semana mudasse a cor das tarefas. Vai ver o cérebro registra tudo de outro jeito – livre de microgerências, e aquele burburinho do expediente some.

Nesse contexto todo, foi inevitável aprender a respeitar meus próprios ritmos. Descobri que existem vantagens nas brechas do fim de semana, inclusive pra quem gosta de se aprofundar nas ideias mais doidas que surgem quando o resto do mundo está descansando. É óbvio, não dá pra romantizar demais; tem hora que bate arrependimento, dá preguiça, mas – de maneira estranha – acaba valendo a pena, pelo menos na soma semanal das coisas.

Mais do que isso: nos mostravam que sábados, domingos e feriados podiam ser dias absolutamente normais.

Neste post 1

Desligar de tudo não é obrigação

Desde que empreendi, em 2010, nunca mais passei um fim de semana sem produzir – mesmo quando não precisei. Eu quis.

É aos sábados e domingos que limpo, com tranquilidade, minha caixa de e-mails. E também organizo a agenda da próxima semana. É aos sábados e domingos que elaboro mentalmente as reuniões ou conversas difíceis que terei e ainda reflito sobre temas pessoais, soterrados pelos dias de semana.

“O direito de desligar por completo” pode ser Lei em alguns países e até incentivo das gestões, mas não é uma obrigação. Desde que não afete as determinações da sua empresa, a família ou religião, produzir aos sábados e domingos é direito seu.

A chave, aqui, atende pelo nome de “equilíbrio”.

Segundo a escritora americana Laura Vanderkam, autora de diversos best-sellers sobre negócios e gestão, “trabalhar um pouco em fins de semana permite um ritmo mais equilibrado da vida durante a semana”. “Aproveitar melhor este período para produzir pode reduzir o estresse, alavancar carreiras e otimizar uma vida equilibrada.”

O conceito de que o trabalhador de fim de semana é um “viciado em trabalho” ou um “doente corporativo” é mito, diz Laura, que também é conferencista TED Talks.

Graduada em Princeton, Laura frisa que desconectar ao fins de semana ou durante as férias não deve ser algo imposto. “O indivíduo deve ter uma escolha e esta é verdadeira liberdade.”

Neste vídeo, ela nos responde “como encontrar tempo para o que mais importa?”

Estou com Laura.

Então você já sabe: quando receber pelo WhatsApp o meme ou o vídeo “sexta-feira sua linda” ou “fim de semana começou”, comemore duplamente. Vem coisa boa por aí.

Este artigo também pode ser lido aqui.

Nota do editor:
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Perguntas frequentes

Trabalhar no fim de semana é necessariamente errado?

No enquadramento do autor, não. Pode ser escolha alinhada ao próprio ritmo, desde que não viole regras da empresa nem destrua vínculos pessoais. O texto combate o estigma automático de workaholic. Exploração continua fora do argumento. Avalie energia, contexto e consequências antes de copiar o hábito como identidade.

Que tarefas o autor reserva para sábado e domingo?

Limpar a caixa de e-mails com calma, organizar a agenda da semana seguinte, elaborar mentalmente reuniões difíceis e refletir sobre temas pessoais soterrados nos dias úteis. São blocos de clareza e preparação. Não são sinônimo de plantão de entrega urgente nem de heroísmo de disponibilidade.

Desligar completamente é obrigatório?

O texto afirma que o direito de desligar pode existir em leis ou políticas de gestão, mas não é obrigação em todos os casos. A condição é não afetar determinações da empresa, família ou outros limites relevantes. Leia como ensaio de autonomia de ritmo. Parecer trabalhista ou médico fica fora do ensaio.

MM Matt Montenegro