Nintendo e o Marketing de Conteúdo: um jogo cooperativo
Muitas pessoas acham que o Marketing de Conteúdo surgiu recentemente. Mas a verdade é que ele existe há muito tempo. O primeiro exemplo do qual temos conhecimento é o Guia Michelin, criado há mais de 100 anos. O mesmo aconteceu com a Nintendo. Desde meados de 1950, quando ainda vendia jogos de cartas, o fundador Fusajiro Yamauchi já publicava cartilhas para instruir e estimular os jogadores em seus eventos. E isso é nada menos que educar o mercado. Agora avancemos até 1987. Nesse ano, pouco tempo depois do lançamento do console NES, também conhecido como Nintendinho, a empresa publicava a revista “Nintendo Fun Club News”.


Capturando e encantando os consumidores
Durante a década de 90, a assinatura da Nintendo Power era como um troféu para os fãs. Pense em uma época onde a internet não estava presente na maioria dos lares. Nada de interações no Twitter, vídeos ao vivo para novidades ou uma quantidade absurda de conteúdo especializado na web. A Nintendo foi revolucionária ao enxergar que deveria se aproximar dos fãs e abrir as portas para a participação ativa, por isso prosperou. Enquanto isso, a Sega (principal rival à época) acabou se tornando uma desenvolvedora de jogos, inclusive para a própria Nintendo. O conteúdo trazia a marca para além do consumo do produto. As crianças esperavam ansiosamente pela próxima edição da revista, conversavam sobre as novidades com seus amigos, enviavam e-mails que podiam ser publicados. Enfim, eram utilizados conceitos de inbound marketing antes mesmo de o termo existir. A etapa de “encantar”, que acontece após o fechamento do negócio no funil de vendas, sempre foi uma prioridade para a Nintendo. Não se trata apenas de vendas, mas de criar relacionamentos. Talvez por isso os fãs ainda hoje sejam tão fiéis aos produtos da marca.Coletando dados em vez de moedas
Você pode pensar que era extremamente complicado realizar pesquisas de mercado antes do Big Data. É claro que a internet trouxe diversas facilidades, mas a base de fãs consolidada da Nintendo certamente trouxe benefícios. Alguns anos depois da criação, a Nintendo Power sofreu algumas alterações. Mais tarde, o público foi consultado para analisar a aceitação do novo formato.
Um detalhe: todos esses dados foram publicados na própria revista.
Repare que a análise de dados permitiu, inclusive, que a Nintendo Power inserisse publicidade em suas páginas. E acredite: nenhum dos anúncios era feito para a própria Nintendo. A revista chegou a um patamar onde outras marcas queriam aparecer nas páginas. Impressionante.
Conteúdo gerado pelo usuário: quase um baú de rupees
Para quem não entendeu a referência, rupees é a moeda do universo criado para o jogo The Legend of Zelda, um dos mais populares da marca e até hoje um fenômeno de vendas. O título é apenas para reafirmar algo que vem sendo trabalhado há anos pela marca: a lealdade dos fãs é um ativo valioso para o negócio. A participação da comunidade de fãs já existia na Nintendo Power, antes mesmo dos fóruns do Orkut. Em uma sessão especial, os assinantes compartilhavam dicas para ajudar outros jogadores.