Semântica: o que é originalmente
A gente sabe que o marketing digital é voltado para métricas, certo? O papo “não sei, sou de Humanas” já não cola há muito tempo. Além de prejudicar as suas estratégias de conteúdo. Mas vamos com calma. Este é um post sobre táticas e um pouquinho de história. Da linguística e do Google. A semântica nada mais é que o estudo do significado das palavras. Falando assim, até parece algo filosófico, não é mesmo? Na verdade, mais ou menos. Foi graças a Ferdinand de Sausurre que ela ganhou status de… Ciência! De verdade. Com laboratório, testes e experiências. Sausurre explicou várias coisas: sintagma, paradigma, significante, significado. Essa ciência continua relevante — especialmente para o Google —, pois explica como o discurso das pessoas se constrói antes da fala. No começo do século XX, já sabíamos que frases como “comprei um sofá novo sofá” não faziam o menor sentido linguisticamente. Nós temos um campo semântico natural nas nossas cabeças. O ser humano sabe que a formação “sofá novo” não faz sentido se o complemento for “sofá” novamente. Você pode complementar a frase “comprei um sofá novo” com “ontem”, com “naquela loja ali” ou até mesmo com “muito feio”. Tudo isso é natural e faz sentido. Ou seja: existe uma maneira orgânica de nos comunicarmos. E isso também é a semântica.Hummingbird: o primeiro passo
A famosa atualização do Google em 2013 colocou isso tudo que nós e Saussure já sabíamos dentro do buscador. As palavras-chave continuam importantes, claro. Mas não faz o menor sentido encher os conteúdos com elas. O Google entendeu que ninguém fala assim na vida real. Mais importante: nenhum ser humano pensa assim naturalmente.RankBrain: o cérebro do Google
O segundo passo tomado pelo Google, em 2015, foi o RankBrain. Com os conceitos de semântica já incorporados pela ferramenta, agora ela aprende com nosso uso da linguagem. Lendo o que o ser humano produz para internet, ele foi aprendendo como as palavras se relacionam e até mesmo como os países e cidades se comunicam. Pois é, em dois anos o Google não apenas aprendeu como a linguística funciona, foi além. Agora vamos aprender como esse estudo se aplica e pode ajudar suas estratégias?Latent Semantic Indexing — LSI
A densidade de palavras-chave do seu conteúdo não importa. Mesmo. A keyword escolhida precisa ser trabalhada no conteúdo, mas de forma natural. O trabalho não ficou mais fácil, porém muito mais divertido. O Latent Semantic Indexing (LSI) tem esse nome complicado, mas é bem simples de entender. Basicamente o Google utiliza isso para compreender a relação entre palavras, frases, conceitos, sites e blogs. Sabe quando a gente comentou que o cérebro humano funciona com o tal campo semântico? O mesmo conceito deve ser aplicado nos textos. E existem formas de otimizar isso. Para começo de conversa, é necessário começar a pensar na estratégia dessa forma. Mais do que nunca, é importante pensarmos nos sinônimos para o conteúdo fazer sentido semanticamente aos olhos do Google.Como o LSI funciona na prática
Você entendeu que repetição não tem vez em lugar nenhum, não é mesmo? Então a verdade é que não tem uma fórmula mágica de produção de conteúdo. O LSI e toda sua semântica deixam algo muito evidente: os textos de qualidade é que vão gerar resultados. E haja criatividade. A parte boa é que o próprio Google te dá uma força. O post sobre como o Neil Patel ajudou o blog Marketing de Conteúdo a bombar pode te trazer bons insights. Já que não existe milagre, mas boas ideias, algumas dicas que podem te inspirar:- Valorize seus títulos e intertítulos. H1 e H2 seguem firmes como nossos amigos no rankeamento!
- Utilize o próprio Google para te ajudar na elaboração do campo semântico.
- Produza conteúdos originais. Sempre. Cada dia mais.
- Elabore suas pautas e estratégias pensando nisso.
- Ferramentas como o Yoast são bem-vindas, sim. Mas não devem ser, de maneira alguma, seu norte para a produção. !
- Busque outras fontes para elaboração de keywords. Fóruns, redes sociais. Entenda o que as pessoas estão falando e como a linguagem está sendo utilizada.
- Todo mundo adora sinônimos. Quem produz conteúdo, quem lê e o Google. Mas todo cuidado é pouco com black hat SEO! Ao evitar o excesso uma palavra-chave, você pode estar abusando de outras.
LSI e Rankbrain juntinhos no seu buscador
O Google tem mais de 6 bilhões de acessos diários. Então mesmo que seu texto estiver lindo e criativo, não dá para contar só com isso. Buscar por “pizzaria” resulta em “pizza” na answer box — além do Maps junto. LSI e Rankbrain funcionando bem bonitinhos na sua vida.Distância semântica e relação entre palavras
Há ainda duas questões importantes para entender como o Google lê seu texto. Os termos sãosemantic distance etermrelationships. Isso é a forma que a ferramenta vai escanear seus conteúdos. Sim, a boa e velha escaneabilidade, mas um pouquinho mais sofitsticada. A semantic distance (distância semântica) é mais ou menos o que o Sausurre já falava. A maneira como as palavras se relacionam na frase. Não tem nada a ver com o espaço entre elas, mas como se conectam nas frases, parágrafos e outros elementos do HTML como os títulos e intertítulos. Mas, as palavras também se relacionam com outras em outros parágrafos. Como o Google lê isso?- Os títulos (H1 e H2 especialmente) são considerados semanticamente próximos a todo os blocos que os seguem.
- Termos localizados no mesmo parágrafo, tem uma relação semântica mais próxima que termos separados por blocos de texto.
- E as listas, que montamos por bulletpoints, são lidas com distância semântica igual entre seus tópicos. Como um parágrafo, apenas.