Pesquisa UX: como criar as melhores perguntas

TL;DR

Pesquisa UX depende de perguntas que revelem expectativa, processo e contexto com respostas abertas. O guia prioriza evitar fechadas, pedir histórias e formular com empatia nas entrevistas.

  • Por que importa: pergunta fraca gera dado irrelevante e decisões de experiência inseguras.
  • Como funciona: misture enfoques e foque em impressões iniciais, como o usuário fez algo e por quê.
  • Na prática: troque sim/não por convites do tipo “me mostre o que você fará em seguida”.
  • Ponto de atenção: amarre a pergunta a um período específico para facilitar a memória.
  • Conclusão: clareza do objetivo da pergunta pesa mais que volume de itens no roteiro.

Você pode dividir a pesquisa UX em duas partes: a qualitativa e a quantitativa. Na quantitativa, é possível usar entrevistas, estudos e outros métodos para entender por que os usuários realizam uma ação.

Na pesquisa quantitativa, metodologias mais estruturadas servem para mensurar dados sobre o que os usuários fazem e testar hipóteses que você desenhou na pesquisa qualitativa. Assim, é possível descobrir padrões a partir de um volume de dados e tomar decisões mais seguras sobre a experiência dos usuários.

Você pode misturar os diferentes tipos de pesquisa para ter um ponto de vista mais objetivo sobre o problema de um projeto. Nos dois casos, é importante formular boas perguntas. São elas que vão ajudar a levantar dados relevantes para o seu objetivo.

A seguir, separamos algumas sugestões de perguntas para incluir na sua pesquisa de UX design.

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Conheça as impressões iniciais ou expectativas do usuário

Durante uma sessão com um usuário, você pode fazer perguntas para saber como foi a experiência dele com um aplicativo ou, antes de usá-lo, quais são suas expectativas. A ideia é receber, em um primeiro momento, respostas mais abrangentes, mas muito valiosas.

Às vezes, quando você faz perguntas muito óbvias, o usuário pode cair numa espécie de “piloto automático” e não revelar exatamente o que pensa. Uns detalhes vão escapando, como aquele comentário casual que acaba dizendo mais do que a resposta principal. Por isso, uma abordagem menos burocrática, sem seguir roteiro rígido, costuma render respostas inesperadas – e, honestamente, quase sempre são essas que trazem maior insight.

Como um pesquisador UX, você está atrás de informações sobre as intenções dos usuários e as necessidades escondidas para encontrar potenciais oportunidades. Algumas sugestões de perguntas nesse sentido:

  • O que você está procurando nesse aplicativo?
  • Qual foi sua primeira impressão?
  • Por onde você começou?
  • Quando ou onde você você imagina alguém usando esse recurso?
  • O que você esperou ganhar quando usou esse recurso?
  • Você achou esse produto similar a outro?
  • Você achou fácil usar esse produto?
  • Qual foi a parte mais fácil?
  • Qual foi a parte mais difícil?
  • O que você espera acontecer se fizer isso?

Outra coisa curiosa é que usuários muitas vezes mudam de opinião ao longo da conversa, principalmente quando são incentivados a ir além das respostas do tipo “foi bom” ou “não gostei”. Insistir suavemente para que descrevam seus raciocínios ou mesmo as insatisfações faz a diferença, tanto para detectar falhas do produto quanto para criar empatia. Aliás, foi assim que alguns designers chegaram a soluções simples, só ouvindo uma reclamação repetida e pouco óbvia (há quem jure que 90% das boas ideias nascem desses pequenos incômodos não-ditos).

Para dar suporte para suas decisões de design e buscar soluções realmente úteis, você pode se familiarizar com o seu público-alvo e entender o problema que o levou a determinada ferramenta. É importante conhecer as nuances de um problema antes de resolver seu desejo inicial.

As respostas podem variar muito, de acordo com a natureza dos projetos, das hipóteses formuladas e dos parâmetros usados para avaliar o que foi respondido.

Tente saber como o usuário fez algo

Uma excelente maneira de saber como os usuários pensam é formular perguntas que incitam os participantes da sua pesquisa a contar uma história, como: “quando você fez isso, como saiu depois?”.

O que também pode ajudar é usar perguntas que tenham referências a um período específico. O usuário terá mais facilidade para se lembrar de uma experiência quando a pergunta remete a um momento do passado.

Por exemplo, “na última vez que você usou o recurso, como foi sua experiência?”. Estimular respostas descritivas é o melhor jeito de encontrar o que você está procurando e gerar insights valiosos da pesquisa UX.

Evite perguntas fechadas

Um erro comum na pesquisa UX é deixar que sua opinião comum interfira na formulação das perguntas para os usuários. Quando isso acontece, as respostas possíveis podem ser reduzidas a sim ou não.

Você está em busca da experiência. O objetivo, então, é estimular que o usuário compartilhe informações, o que pode ser feito com perguntas abertas. Por exemplo, não formule sua pergunta como: “você gostou de usar essa ferramenta? Qual opção você prefere, A ou B?”.

Em vez disso, faça perguntas do tipo: “o que você mais gostou ao usar a ferramenta? Por quê?”. O formato das suas perguntas influencia diretamente o tipo de resposta que você terá. Por isso, é tão importante ficar atento para não formular questões fechadas.

Perguntas bem formuladas antecipam as respostas dos usuários, pois carregam uma hipótese sobre o que você está pesquisando. É uma tarefa que reforça a importância de desenvolver um bom perfil analítico e estratégico para seguir a carreira de UX design.

Formule perguntas de um jeito empático em entrevistas

Você também pode reformular as perguntas de um jeito mais amigável do que o questionamento direto. Esse cuidado pode deixar o usuário mais à vontade, principalmente, se você escolheu a entrevista como uma das metodologias de pesquisa.

Nesse caso, é possível, em vez de perguntar diretamente, pedir uma informação específica, ao usar algumas estruturas. Veja alguns exemplos:

  • Descreva para mim…
  • Me ajude a entender…
  • Explique o que você está procurando agora…
  • Me mostre o que você fará em seguida…
  • Me diga o que você está pensando…

Se você não está muito confiante com suas habilidades de entrevista, essas formulações podem ajudar a deixar os objetivos das suas questões mais claros.

Esperamos que as dicas ajudem a dar mais confiança a sua etapa de pesquisa UX. Traçar uma estratégia com boas perguntas é o que vai fazer a diferença na hora de comprovar hipóteses e encontrar o que você precisa.

Perguntas frequentes

Como criar boas perguntas em pesquisa UX?

Defina o que você precisa comprovar e evite perguntas fechadas que engessam a resposta. Peça impressões iniciais, peça para o usuário contar como fez algo e use tom empático. Âncoras de tempo ajudam a memória. Revise o roteiro cortando o que só confirma sua hipótese favorita.

Por que evitar perguntas fechadas na entrevista?

Porque elas limitam nuances do problema que levou a pessoa à ferramenta. O artigo dedica seção a evitar fechadas e prefere formulações que abram contexto. Use fechadas só se o próprio desenho do estudo exigir triagem rápida. Depois, aprofunde com pedido de exemplo concreto.

Como perguntas narrativas melhoram a pesquisa?

Perguntas que incitam a contar uma história mostram como o usuário pensa além do clique isolado. Referenciar um período específico facilita lembrar a experiência. Peça sequência: o que fez, o que veio depois, o que pensou. Grave padrões, não frases isoladas de opinião.

Que formulações empáticas o texto sugere?

Exemplos incluem pedir para explicar o que a pessoa procura agora, mostrar o próximo passo ou dizer o que está pensando. Elas deixam o objetivo da questão mais claro para quem entrevista. Treine em voz alta antes da sessão. Ajuste o roteiro se o participante travar no jargão.

MM Matt Montenegro