Markup: entendendo o conceito inicial
Existem diferentes táticas para se chegar ao preço final de um produto. Algumas são diligentes, enquanto outras deixam a desejar. É preciso entender a abordagem certa! Há empresários que simplesmente copiam o preço praticado pela concorrência. Outros, simplesmente dobram os preços de aquisição do produto (custo de aquisição x 2) — não é preciso de muito estudo para concluir que essas táticas são falhas. Ambas deixam de considerar custos variáveis e específicos à empresa, como: mão de obra, impostos, contribuições, logística, comissionamento e assim por diante. No entanto, existe um cálculo cada vez mais usado e que pode otimizar a precificação de produtos: é o markup. Além de ser simples, permite que qualquer profissional entenda, gerencie e otimize os custos e ganhos envolvidos no preço final. Grosso modo: o markup é um índice multiplicador ou divisor que deve ser aplicado sobre o custo de um produto, permitindo que se chegue ao preço de venda. Há um cálculo específico para identificá-lo: o qual será estudado em outro tópico. O grande diferencial dessa tática é que ela oferece uma visão mais sistêmica do preço, considerando: os custos, os impostos e a margem de lucro desejada pelo gestor. Muitos materiais complicam o assunto além do necessário, todavia, o cálculo em si é simples. O gestor responsável somente deverá ter o controle dos custos e impostos que incidem sobre cada produto, depois aplicá-los ao preço do markup.A importância de calcular corretamente o preço
Como observado até aqui, há diversas táticas para se chegar ao preço de venda, porém, nem todas são producentes e úteis à empresa. Em especial, é necessário entender o preço de markup, depois aplicá-lo no mix de produtos da empresa. O preço adequado permite que a empresa se destaque no mercado e opere com maior lucratividade. Essas e outras vantagens serão vistas nos próximos tópicos. Continue!Maior lucratividade nas operações diárias
O lucro não deve ser o objeto principal de um negócio, pois, na verdade, é uma contraprestação ao trabalho bem-sucedido. No entanto, é possível considerá-lo como o combustível capaz de manter o negócio ativo. Sem lucro, não há como sobreviver. O problema é que grande parte da lucratividade da empresa é consumida ainda no processo de venda, fruto de preços mal estabelecidos. Ao deixar de considerar os diversos custos de uma transação comercial, o lucro final torna-se é insuficiente. Ao aplicar o cálculo do markup, é possível estabelecer o preço certo e operar com a margem de lucro desejada. Assim, o negócio pode crescer, os funcionários podem ser mais bem recompensados e os fornecedores pagos em dia. Ou seja, todos ganham!Atração e retenção de clientes em longo prazo
A atração de clientes é a maior obrigação de uma empresa, seguida pela astúcia de retê-los pelo maior tempo possível — de forma sustentável, saudável e lucrativa. Nesses quesitos, o preço praticado tem uma grande influência. Quando baixo demais, transmite a impressão de falta de qualidade, o que afasta a clientela. Por outro lado, quando elevado em excesso, envia o cliente direto para a concorrência. O preço tem um ponto certo: e deve-se identificá-lo por meio da tabela markup e do próprio acompanhamento ao cliente (o que será tratado em outro tópico). Com um preço adequado, além de chamar a atenção do público-alvo, é possível iniciar um relacionamento ganha-ganha, onde todos saem satisfeitos. Essa é a “fórmula” para arquitetar um negócio sólido, rentável e atraente para o mercado.Assumir a frente da concorrência
O mercado tem se mostrado cada vez mais “predatório”. Há muito tempo, com os avanços da acessibilidade online, a concorrência deixou de ser local e passou a ser global: empresas brasileiras concorrem com outras japonesas, e vice-versa. Nesse contexto, o preço é fator essencial ao sucesso empresarial. A falta do adequado planejamento do valor de venda pode colocar qualquer firma em desvantagem, fazendo-a perder espaço no mercado. O contrário também é válido: com o preço certo é possível crescer, deslanchar as vendas e desbancar outras empresas. Desse modo, é possível assumir a frente da concorrência, lucrar mais nas operações realizadas e perpetuar a marca no mercado.Passo a passo: como usar o markup na empresa
O objetivo do markup é estabelecer o preço final de venda. Para tal fim, considera todos os custos, despesas e impostos de uma operação comercial, bem como o lucro desejado pelo gestor responsável. Assim, é possível ter maior assertividade! Entenda melhor cada um desses componentes:- custo — valor investido na produção ou aquisição de produtos;
- despesa — valores gastos com a manutenção da companhia;
- imposto — contribuição monetária devida ao estado;
- lucro — vantagem financeira obtida na operação comercial.
- MD — markup divisor;
- MM — markup multiplicador;
- PV — preço de venda;
- CA — custo de aquisição;
- CTV — custo total de venda.
Markup divisor (MD)
Como o nome sugere, a ideia é gerar um índice pelo qual o custo de aquisição do produto possa ser dividido para chegar ao preço de venda. A fórmula é muito simples: o markup divisor é equivalente ao preço de venda (PV: que, na fórmula, sempre será 100%), menos o custo total de aquisição (CTV) e dividido por 100. Assim, será possível chegar ao índice desejado. Entenda melhor:- MD = (PV – CTV) /100
- percentual de impostos — 27%;
- despesas — 8%;
- lucro desejado — 30%;
- MD = (PV – CTV) / 100;
- MD = (100 – 65)/100;
- MD = 35/100;
- MD = 0,35.
- PV = CA/MD
- PV = R$35,00/0,35
- PV = R$100,00.
Markup multiplicador (MM)
O segundo meio de calcular o preço markup é encontrar o índice multiplicador. Nessa caso, o intuito é identificar um índice que, multiplicado pelo preço de aquisição do produto, indique o preço de venda mais adequado para o empreendimento. Imagine o mesmo exemplo da loja ABC e da camisa adquirida do fornecedor. Como explicado, o preço inicial é de R$35,00 — além de incidir impostos (27%), despesas indiretas (8%) e o lucro desejado pelo gestor responsável (30%). Para identificar o markup multiplicados (MM), basta dividir o número 1 pelo markup divisor (no exemplo anterior: 0,35). Confira a fórmula:- MM = 1/MD
- MM = 1/0,35
- MM = 2,85715
- PV = MM x CA
- PV = 2,85715 x 35,00
- PV = R$100,00
Despesas indiretas da firma
É muito comum que o gestor responsável tenha dúvidas sobre como calcular o percentual de despesas da firma. Por isso, não conseguem encontrar o preço de markup de forma adequada ou chegam a um resultado errôneo — prejudicando o negócio. Esse cálculo é ainda mais fácil, basta dividir as despesas existentes (água, luz, setor administrativo, etc.) pelo faturamento da empresa. Confira:- Despesa (%) = despesa / faturamento x 100
Diferença entre margem e markup na precificação
Precisa-se, ainda, considerar a diferença entre margem e markup. Existem muitos gestores que confundem os cálculos e, por isso, não obtém os resultados desejados. Como observado até aqui: o markup incide sobre o custo do produto para formar o preço de venda. O índice pode ser divisor ou multiplicador, variando de acordo com a fórmula aplicada — porém, ambos levam ao mesmo resultado. Por sua vez, a margem representa o percentual de quanto se ganha sobre cada venda. Ela pode ser bruta (antes de pagar impostos e despesas) ou líquida (após pagar tudo o que se deve). Imagine o exemplo da camisa, citado anteriormente. O preço de venda é de R$100,00, sendo que seu custo inicial é de R$35,00, além de impostos e despesas equivalentes a 35% (ou seja, mais R$35,00). Para se identificar a margem bruta, basta dividir o lucro bruto (valor ganho antes de pagar impostos e despesas) pelo preço de venda. Confira:- Margem bruta = lucro bruto / preço de venda x 100
- Margem bruta = 65/100 x 100
- Margem bruta = 65%
- Margem líquida = lucro líquido / preço de venda x 100
- Margem líquida = 30/100 x 100
- Margem líquida = 30% (veja, é o valor definido ainda no primeiro exemplo).
Análise da concorrência
É importante que o gestor avalie quanto a concorrência cobra pelo mesmo produto oferecido. O intuito não é o de copiar, mas aprender! Assim, será possível balizar os preços atuais, ajustando-os aos níveis de mercado. O indicado é que esse acompanhamento seja feito com três ou quatro concorrentes diferentes, que atuem em um mercado similar e ofereçam os mesmos produtos. Logo, poderá entender a média praticada e agir estrategicamente.Percepção de valor dos clientes
Outro ponto importante é a percepção de valor dos clientes. Alguns produtos oferecem um imenso valor percebido, mesmo com custos ínfimos. Nessas situações, o gestor poderá acrescentar uma margem maior de lucro no preço de markup. Um ótimo exemplo é o chocolate no dia da páscoa ou, ainda, flores no dia dos namorados. O valor de produção continua o mesmo, porém, a percepção do cliente muda — permitindo que as empresas atuem com margens maiores.Estratégia adotada pelo negócio
Finalmente, há de se analisar a própria estratégia da empresa. Algumas organizações buscam a liderança de baixo custo (aí, a margem de lucro deverá ser achatada para competir com a concorrência), enquanto outras investem na diferenciação (praticam preços elevados, porém, entregam maior valor aos clientes). Levando tudo isso em consideração, é possível afirmar que: definir o preço correto é, também, uma arte. O gestor deve estar atento às diversas variáveis do mercado, à estratégia do seu negócio e aos custos envolvidos. Assim, terá ótimos resultados.Métricas financeiras: acompanhando os resultados obtidos
Ainda é importante que o gestor acompanhe as métricas de desempenho, avaliando se o atual preço dos produtos têm promovido bons resultados financeiros. Existem diversos métricas de desempenho, variando de acordo com o objetivo da empresa. Elas funcionam como um termômetro, indicando se o grau de resultados em determinada atividade está adequado ou precisa de ajustes. Para validar a eficácia dos preços praticados, é importante que o gestor conheça e utilize alguns indicadores ligados à lucratividade. Conheça, agora, os principais:Percentual de lucratividade
O primeiro indicador é, também, um dos mais importantes para a estratégia empresarial. Ele permite saber se a empresa atua de forma saudável no mercado, se consegue arcar com os diversos custos e, ainda, gerar retorno financeiro para os investidores. O cálculo da lucratividade é muito simples: basta relacionar o lucro obtido em determinado período com a receita total da empresa. Veja a fórmula:- Lucro (%) = Lucro líquido / receita total x 100
Nível de liquidez do negócio
O entendimento da liquidez é muito simples: consiste na relação entre o que se tem para receber (ativo) e o que se tem para pagar (passivo). É importante que a empresa tenha equilíbrio entre essas variáveis, caso contrário, podem surgir sérios problemas.- Liquidez = ativos de curto prazo / passivos de curto prazo
- acima de 1 — há uma alta liquidez;
- igual a 1 — há equilíbrio;
- abaixo de 1 — não há ou há pouca liquidez.
Percentual de crescimento anual
É importante considerar o crescimento da empresa. Isso pode ser feito ao monitorar a evolução da receita ao longo de determinado período, como um ano de trabalho. Essa métrica relaciona a receita entre dois períodos diferentes. Confira:- Crescimento (%) = (receita do ano atual – receita do ano anterior) / receita do ano anterior x 100
Participação no mercado (Market Share)
O último indicador é o market share, que mede a participação da empresa em determinado mercado. Desse modo, é possível saber se a empresa tem se destacado da concorrência ou se precisa de uma nova estratégia de preços. Seu uso é fácil: basta relacionar o faturamento da empresa com o faturamento do seu respectivo mercado de atuação. Observe:- Market Share (%) = faturamento da empresa / faturamento do mercado x 100