Gosto de uma frase que diz que “afinidade não tem idade”. E não tem mesmo. Tenho grandes amigos na faixa dos 20 anos, outros na faixa dos 70, e eu completo 45 em dezembro. Como fui pai aos 40 e aos 42, na classe dos meus filhos, por exemplo, as mães e pais têm entre 25 e 30 anos.
Quando o assunto é trabalho, esse espectro aumenta sensivelmente: como líder e liderado em várias frentes, atuo diariamente com profissionais que vão de 19 a 80 anos de idade.
E a magia reside aqui.
Foi-se o tempo em que as pessoas eram medidas somente pelo tempo de casa, os anos de experiência ou pela bagagem. Tudo isso ainda conta, embora menos. Em 2025, as métricas são outras.
Resultados, evidentemente, continuam sendo medido por números. Cada vez mais, porém, no mercado você é aquilo que você entrega, como entrega e por que entrega. E não só “aquilo” que entrega.
Na Tawil Comunicação, agência de Relações Públicas e conteúdo que fundei e dirijo desde 2010, 75% do meu time, hoje, é composto por millennials. Descobri na juventude dos meus colaboradores, uma energia, características e valores raros – um caldo que vem impulsionando para o alto o meu negócio, no caso, comunicação empresarial.
Sim, temos profissionais de outras idades na agência, eu incluso, mas o foco desse artigo são os millennials (ou Y), aqueles nascidos de 1980 até meados da década de 1990.
Pode parecer clichê, mas a diferença de olhar realmente mexe com o dia a dia. Você percebe isso em pequenas decisões, nos detalhes que os millennials priorizam – e não me refiro só a ferramentas digitais ou métodos, mas ao jeito de enxergar o impacto do trabalho no mundo. É curioso como eles costumam disputar menos ego, focar mais em propósito ou simplesmente questionar o que já estava pronto para ser aceito sem muita discussão. Tem um frescor ali, difícil de imitar.
Também não é só festa: às vezes, a ansiedade dessa galera bate de frente com processos que (ainda) têm um ritmo próprio. Já perdi a conta de quantas vezes precisei puxar o freio de projetos com potencial enorme só porque rolou aquela pressa básica, quase uma angústia por querer fechar logo. Se de um lado isso agiliza e traz resultados rápidos, do outro exige certo jogo de cintura para não transformar a pressa em ruído ou retrabalho. Há dias em que é quase um exercício de respiração consciente pra equilibrar expectativas.
Por isso, destaco aqui 5 lições importantes que tenho aprendido ao trabalhar junto/para essas jovens mentes privilegiadas:
1. As ideias dos millennials podem ser muito, muito melhores
Lide com isso. A sua experiência, caro experiente, muitas vezes serve tanto quanto o quadro de Missão, Visão e Valores pregado na entrada da firma: discurso bonito e zero efetividade.
Millennials pensam rápido, têm leituras fáceis sobre temas complexos e mais visões interessantes sobre questões relativas a projetos, negociação, gestão organizacional e relacionamento interpessoal do que pressupõe a sua vã filosofia.
Saber ouvi-los e extrair deles o seu melhor lhes dá autonomia e pode gerar resultados sólidos e impactantes.
2. Ação, ação, ação!
Sou de um tempo em que o planejamento de um projeto, por menor que fosse, demandava semanas. Só que o mundo mudou e a velocidade que permeia nossas vidas dentro e fora do mercado também.
Millennials, diferentemente dos baby boomers (nascidos após a Segunda Guerra Mundial e até a metade da década de 1960) e dos X (nascidos a partir de meados dos anos 1960 e o final dos anos 1970), como eu, eles planejam menos e agem mais.
Sim, há erros pelo caminho, alguns graves, entretanto, colhe-se mais frutos. Pensar digitalmente é diferente do que adaptar-se à transformação digital. E os millennials já vêm chipados.
3. Eles respeitam, sim, a hierarquia. Mas uma nova hierarquia
Desde que o mundo é mundo, ouço que os millennials “peitam demais”, “não se subordinam”, “desrespeitam a hierarquia”. Quer saber? Discordo. Tive, como liderado, líder e parceiro – e nem poderia ser diferente – exemplos de desrespeito e de completa falta de noção corporativa.
Só que foram exceções, jamais a regra. Acontece que a maneira como nós produzimos e nos reunimos mudou, os cronogramas mudaram, os códigos de conduta e a flexibilidade dos locais de trabalho, igualmente. E as relações corporativas, agora mais colaborativas, francas e horizontais, seguem o mesmo caminho. Falo sobre cultura, respeito e liderança, ao invés de medo, tirania e controle. Quem não percebe isso está perdido.
4. A tecnologia é o meio e não o fim
Diferentemente dos forasteiros digitais (eu), que abraçaram esse mundo a duras penas, os millennials nasceram conectados e chipados. O que encaramos como grandes novidades disruptivas (e-mails, internet, redes sociais…) já fazem parte de sua existência, assim como a TV em cores está para nós: sempre esteve ali.
Isso tem um efeito tremendo, uma vez que os torna seres ainda mais sociais, superconectados (eles não veem o uso da rede social no trabalho como distração, por exemplo), e que encaram a tecnologia como aliada e não como “ferramenta”. O resultado? Mais produtividade, celeridade e objetividade.
5. Dar feedback é essencial. Receber, também
Millennials não têm paciência para esperar – ou têm menos do que os mais velhos, vá lá. E gostam de/precisam saber como estão performando. Feedbacks que demorem meio ano para serem dados, como no passado, ficam sem sentido. A conversa precisa ser firme, recorrente, transparente e sincera.
E todo cuidado é pouco, uma vez que estes jovens profissionais costumam se frustrar e se melindrar com facilidade. O mesmo vale para o caminho inverso: millennials esperam de nós perguntas como “estou me saindo bem?“, “minhas atitudes atenderam as suas expectativas?”, “em quê posso melhorar como colega/gestor?”
Por fim, incluo aqui duas palavrinhas fundamentais neste processo de reconhecimento da força de trabalho dos millennials: “respeito” e “adaptação”.
“Respeito” ao trata-los como iguais, livres de pré-conceitos, e para ouvi-los, identificando suas sugestões, ideias e insights. E “adaptação” para se inserir neste novo cenário com mais agilidade, assertividade e menos sofrimento.
Os millennials já transformaram o mercado de trabalho. Integrar-se, consequentemente, é uma questão de inteligência. Ou de sobrevivência.
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