Falsa campanha da Adidas para influenciadores: o caso de 2018

TL;DR

Em agosto de 2018, a Adidas informou ao Canaltech que o perfil adidasinfluenciadores e sua promoção de recrutamento eram falsos. A confirmação se limita àquele episódio histórico documentado.

  • Como funciona: O perfil prometia produtos mensais a cem embaixadores selecionados.
  • Por que importa: A oferta exigia pelo menos duzentos seguidores e usava o nome da marca.
  • Ponto de atenção: A Adidas declarou naquele momento que se comunicava pelo canal @adidasbrasil.
  • Na prática: Trate o episódio como verificação histórica de 2018, sem presumir política atual de canais.
Recentemente, a Adidas se viu parte de um escândalo de fake news que levou a própria marca a esclarecer o boato. A viralização de uma imagem, que sugeria que a marca estava a procura de pessoas para montar um “time de influenciadores”, foi responsável por movimentar a internet pelos últimos dias e compreender que o fenômeno das notícias falsas saiu do âmbito jornalístico e vem ganhando roupagem diferente.
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No que consistia a “campanha”

A proposta, que deveria ser compartilhada pelos usuários em forma de imagem, acumulava uma série de especificações para que o perfil, em questão, tivesse a chance de trabalhar com a gigante dos calçados: era preciso ter no mínimo 200 seguidores e seguir um perfil específico no Instagram, além de fazer a repostagem do conteúdo. Ao seguir todas as regras, os 100 selecionados receberiam, mensalmente, um pacote da marca com roupas, acessórios, vale presente e exposição no perfil oficial da marca. Rapidamente, o boato ganhou força e a própria Adidas se viu na responsabilidade de anunciar a fake news em seu perfil brasileiro — se você entrar hoje no @adidasbrasil, perceberá a seguinte frase: “Não estamos realizando nenhuma promoção ou sorteio”. Além disso, um porta-voz da marca informou que a promoção é falsa e reforçou que absolutamente todas as ações e comunicação da Adidas, sejam elas com influenciadores ou não, são realizadas a partir dos canais oficiais.

Aprendendo a lidar com as fake news

O escândalo joga luz para um problema recorrente: como lidar com a quantidade absurda de fake news que invade, cada vez com maior frequência e intensidade, as redes sociais? A resposta se encontra em uma palavra-chave: checagem/verificação de dados. Não necessariamente da forma na qual agências estão se especializando ao desenvolver ferramentas poderosas de “combate” às fake news, muito pelo contrário, é possível ajudar a desmontá-las de maneira muito simples e até mesmo rápida. No momento em que uma pessoa se depara com qualquer tipo de conteúdo duvidoso, como esse da Adidas — afinal, nos dias de hoje, 200 seguidores nas redes sociais é um número bizarramente fácil de ser atingido — é preciso usar o exercício da apuração, conceito que jornalistas lidam diariamente desde o início da graduação. Além do bom senso, uma simples checagem da fonte já é um grande passo para descobrir a mentira. Os perfis que “criaram” a campanha, claramente pareciam ter sido criados para propósitos duvidosos, já que existiam há pouquíssimo tempo e não tinham uma atividade profissional na página, coisa que a Adidas claramente não faria. Se a dúvida permanecer, é só checar os perfis da marca: nenhuma ação desse porte seria feita sem que a própria Adidas anunciasse em suas redes sociais. A prática, realizada por internautas que aplicam “golpes” do tipo para acumularem seguidores em perfis fantasmas — eles geralmente são vendidos depois — tem até nome: “phishing”. Já houveram inúmeros outros casos similares ao da Adidas, porém que não acumularam tamanha adesão ou repercussão ao ponto da própria marca se pronunciar. O que resta aos internautas, então, é desenvolver diariamente uma visão cada vez mais analítica e até mesmo duvidosa em relação à notícias e conteúdos que podem parecer falsos. Na era das fake news, todo cuidado é pouco.

Perguntas frequentes

A campanha Adidas Influenciadores de 2018 era verdadeira?

Não. Em agosto de 2018, a Adidas declarou ao Canaltech que o perfil adidasinfluenciadores e a promoção associada eram falsos. A resposta se refere ao episódio histórico documentado naquela data e não descreve uma campanha de recrutamento atual da empresa.

O que o perfil falso prometia?

A oferta falsa dizia selecionar cem pessoas como embaixadoras, prometia produtos mensais e exigia pelo menos duzentos seguidores. Esses elementos descrevem somente a mecânica relatada em 2018. O dossiê não usa o caso para definir todo golpe de impersonação como phishing.

Qual canal a Adidas indicou como oficial em 2018?

Na declaração reproduzida pela reportagem, a Adidas afirmou que se comunicava exclusivamente pelo perfil @adidasbrasil. Essa informação deve permanecer ligada a agosto de 2018. Antes de confiar em uma oportunidade atual, confirme os canais e regras publicados hoje pela própria empresa.

MM Matt Montenegro