Natura muito além dos produtos de beleza
O mercado da beleza e da estética vem desafiando e vencendo as instabilidades da indústria mundial. Quando o assunto é cuidados pessoais, globalmente o segmento apresenta resultados impressionantes.
A indústria global dos produtos cosméticos deve alcançar o valor de mercado de nada menos US$ 805.61 bilhões até 2023.
O número representa uma taxa de crescimento anual composta (o Compound Annual Growth Rate — CAGR) de nada menos que 7.14% entre 2018 e 2023.
Com a oferta de fragrâncias, sabonetes, produtos para o cabelo, entre outros, a brasileira Natura contribui para tais resultados e sabe que tem muito o que entregar.
Ampliadora de consciência
A Natura se autointitula uma ampliadora de consciência. Fundada por Luiz Seabra e Jean-Pierre Berjeaut em 1969, a empresa acumula produtos e linhas clássicas que fizeram (e ainda fazem) parte das memórias dos consumidores.
É o caso de alguns produtos facilmente reconhecidos, como:
- linha Mamãe Bebê;
- sabonetes de Erva Doce,
- coleção antissinais Chronos;
- linha SOU.
Outro exemplo bem-sucedido é a fragrância Kaiak, uma das mais vendidas do mercado nacional.
Para estruturar lançamentos e novidades altamente alinhadas às expectativas dos clientes, a estratégia da Natura passou pela inauguração de um centro integrado de pesquisa, produção e distribuição de cosméticos.
Nele, localizado em Cajamar (SP), boas práticas internacionais, além de arquitetura inclusiva e muita responsabilidade social.
Se nas estratégias de negócio a redução do impacto ambiental é relevante, na fábrica da Natura a economia de energia, no uso de água, além da preservação da mata nativa do entorno também são valorizadas.
Por isso, enquanto na linha de produtos a empresa agradou aos clientes, o mesmo aconteceu com o mercado e os potenciais investidores. O IPO da Natura realizado na até então Bovespa, hoje B3, com a primeira venda de ações da empresa no mercado de ações, aconteceu em 2004.
Naquele momento a ação foi considerada um marco e uma ousadia para uma empresa do segmento da cosmética.
A transformação em multicanal
Na sequência de inovações, após quase cinco décadas de história, em 2012, a Natura fez a sua estreia oficial no campo das compras online, ao lançar o Rede Natural — plataforma digital de compras. Dessa forma, mostrou que para se manter no topo, é preciso acompanhar as tendências do mercado.
Quebrando o estigma das vendas por revista e exclusivas ao apoio das consultoras, a Natura utilizou uma abordagem muito estratégica.
Foi assim que entendeu que era preciso tirar do papel as experiências sensoriais e se aproximar do seu público ainda mais, pensando também no consumidor 4.0! Dessa forma, inaugurou lojas físicas por todo o país.
O momento ficou marcado como o de transformação da empresa em multicanal. A fase seguiu uma tendência do mercado, com o objetivo de:
- possibilitar a experimentação e a imersão no clima da Natura;
- permitir o contato direto dos clientes com os produto;
- criar uma vitrine física de produtos;
- complementar o modelo já consagrado da empresa com a venda por meio de catálogo.
Esse foi apenas um dos passos da companhia.
O engajamento como estratégia de marketing
Para potencializar a abrangência da marca, abordagens com foco no engajamento do público, a partir da interação com causas e ações sociais, entraram nos planos da empresa.
Todas as ações foram aplicadas sem comprometer as boas práticas de governança corporativa do negócio. Assim, a Natura oficializou e compartilhou com seu público consumidor uma novidade na qual ela seria uma das pioneiras do país: o cuidado com a biodiversidade.
Ecologicamente correta e visionária na indústria sustentável
O chamado marketing verde e a relação da natura com as causas ambientais era pouco conhecido no Brasil até o começo do novo milênio.
Foi quando a marca lançou a linha de produtos EKOS. Mais do que um nome que remetia à ecologia, a empresa equilibrou o discurso ao explorar matérias primas vegetais, fórmulas biodegradáveis e o uso de embalagens retornáveis e recicláveis.
A ação de marketing com foco na consciência ambiental deu resultados e ajudou a educar o mercado nacional sobre um assunto que, até então, era pouco explorado.
Ao destacar o uso de produtos nacionais, preservando a fauna e a flora, a Natura fortaleceu seu branding como empresa genuinamente brasileira e foi vista por todo o mundo como uma referência e inspiração.
Com isso, investiu recursos em uma abordagem ousada. Ao desbravar algo totalmente novo até então, transformou-se em pioneira.
Do outro lado, um consumidor ecologicamente correto encontrou na visionária Natura uma forma de manter alinhamento ao desenvolvimento de uma indústria sustentável.
Até os dias atuais a Natura colhe frutos de tal escolha. No mais recente ranking das empresas mais sustentáveis do mundo, alcançou o 15º lugar.
Dessa forma, o que se percebe é que em todos os momentos de suas cinco décadas de história, se reinventar tem sido parte da trajetória da Natura. Foi então que a maior multinacional brasileira, com a missão de proporcionar o bem-estar, somou à sua estratégia única de crescimento a expansão internacional.
Foco na expansão internacional
Nova York, nos Estados Unidos, recebeu a primeira loja da Natura inaugurada no exterior. Simultaneamente, um e-commerce foi implementado no país.
Em sequência, alinhada à expansão nacional, outros destinos como Argentina, Chile, Colômbia, México e França também continuaram no caminho de aproximar a marca dos consumidores.
Com abrangência na venda direta por meio da venda direta, combinada ao negócio por e-commerce e lojas física, e a ideia de que todas as possibilidades estão interconectadas.
Já com o rejuvenescimento da marca e a digitalização do modelo de negócios, a estratégia da Natura vem apresentando resultados também no campo econômico.
A receita líquida no primeiro trimestre do ano aumentou 8,5%, em comparação com 2018. Como quarta maior empresa de cosméticos do mundo, tem a expectativa de que o faturamento anual seja de mais de US$ 19 bilhões em 2020.
Até então, o que aprender com a estratégia da Natura?
Uma estratégia pensada entre c onectar e influenciar
Conectar e influenciar consumidores, ampliando a abrangência, é uma das missões da Natura. Ao combinar o conhecimento de consultores, com o know-how dos representantes, além da curiosidade do cliente que busca se informar por meio das plataformas digitais, a empresa sabe do potencial da globalização.
Mais do que vender produtos de beleza, a Natura entrega experiências. No formato consultoria, com uma pegada de empoderamento, consegue contribuir para seguir inovando.
O que a estratégia do Nubank tem a ensinar para as empresas
As melhores estratégias de lançamento de séries da Netflix
Análise da estratégia d’O Boticário e o que aprender com ela
6 melhores campanhas publicitárias do Spotify
Estratégia da Netflix: quais insights tirar da empresa de streaming
Ensinamentos com a estratégia da Natura
A construção da marca na Natura deixa importantes aprendizados. Entre eles, o quanto é essencial se reinventar constantemente, acompanhar as tendências do mercado e planejar próximos passos com foco nos objetivos a serem alcançados. Outras ações servem de referência para empresas que desejam se destacar.
Mantenha-se atento às tendências do mercado
Como o caso da Natura com a estratégia multicanal, uma empresa precisa saber o que é necessário para acompanhar o veloz ciclo de mudanças do mercado.
Estruturar sua atuação no campo digital, no físico e no porta a porta amplia o campo de abrangência da empresa.
Conecte-se às causas ambientais
Mais do que cuidar do meio ambiente e zelar pelas próximas gerações, a atenção às causas ambientais demonstra um conhecimento com a importância de manter o engajamento com a preservação.
Diferentemente do que aconteceu com a Natura — que foi uma das pioneiras neste assunto — as companhias hoje devem ter isso como algo inerente ao seu escopo de atuação.
Reinvente-se para se manter atraente
Ao se pensar em uma grande marca como Natura, é difícil imaginar a empresa esquecida ou ignorada. Mas é o que poderia ter acontecido, caso o negócio não tivesse se transformado tantas e tantas vezes.
Em sua estratégia, o novo esteve sempre presente. Desde na forma de fazer negócio, até nas maneiras de se relacionar com o seu consumidor.
Não se esqueça das suas raízes
Uma das ações mais alinhadas da estratégia da Natura é o respeito pelas suas raízes.
Ao iniciar sua trajetória com a venda presencial, com a ajuda das consultoras, a gigante da perfumaria e cosméticos conseguiu se consolidar. Mas em momento de expansão, demonstra que deve seguir alinhada com suas revendedoras de longa data.
Ao passar por tantas transformações, a principal estratégia da Natura é a de não parar de se reinventar. Por isso, seguir acompanhando o mercado, de olho nas possibilidades de expansão, faz com que a gigante brasileira seja um lugar para se espelhar.
Agora que você já conhece a estratégia da Natura, que tal se aprofundar em outro exemplo de empreendedorismo? Confira um pouco sobre a história da cantora Anitta como mulher de negócios.