‘Experimentação, criatividade e dados são essenciais no growth marketing’, diz Tahiana D’Egmont, Co-Founder da Growth Leaders Academy
TL;DR
Tahiana D'Egmont, co-fundadora da Growth Leaders Academy, revela que experimentação, dados e criatividade são os pilares do growth marketing eficaz. A estratégia vai além da aquisição paga e foca em canais proprietários.
- Por que importa: Depender só de mídia paga limita crescimento devido aos custos crescentes desse formato.
- Como funciona: Growth combina processo de experimentação, conhecimento de clientes, negócio, mercado e dados para decisões.
- Na prática: Métricas como North Star guiam estratégias por 3-6 meses focando pontos específicos da jornada.
- O que vem aí: Canais proprietários, ferramentas interativas, IA para conteúdo e formatos verticais dominam tendências.
Todo negócio precisa crescer para se manter competitivo no mercado e atrair melhores profissionais e mais clientes. Mas como crescer de maneira sustentável e rápida? É nesse ponto que as estratégias de growth marketing entram em ação como uma forma de trazer novos clientes, os envolver de forma consistente e depois os transformar em consumidores de longo prazo e até mesmo promotores do negócio.
No entanto, tudo que envolve marketing muda constantemente e a cada ano profissionais precisam se reciclar e se reinventar para conseguirem continuar trazendo resultados e, claro, fazer a marca crescer e se tornar mais conhecida pelo público.
Em 2023 não vai ser diferente.
Novas tecnologias, novos comportamentos do consumidor e outras tendências vão marcar o próximo ano em relação às estratégias de growth. Mas como se preparar?
Segundo Tahiana D’Egmont, Co-founder da Growth Leaders Academy, “depender somente de aquisição de clientes, principalmente através de mídia paga, pode ser um entrave importante para o crescimento de diversos negócios, dado o custo crescente desse formato”.
Tahiana é nossa próxima convidada para a nossa Jam Session. Com o tema “Growth: o que profissionais de Marketing precisam saber em 2023?”, o webinar vai trazer tudo que você precisa saber sobre tendências, práticas e estratégias para fazer seu negócio crescer no próximo ano.
Tahiana também nos deu uma entrevista exclusiva sobre o tema! Confira abaixo!
Ah, e não se esqueça de se inscrever na Jam Session, que acontece no próximo dia 15 de dezembro (quinta-feira), às 16h!
Q: Como co-founder da Growth Leaders Academy, você deve ter muitas métricas e táticas interessantes para o crescimento de negócios. Qual o segredo para desenhar estratégias criativas de growth?
Tahiana D’Egmont: Eu gosto de pensar em 5 aspectos que devem estar presentes para se desenvolver estratégias de growth:
- Processo de experimentação
- Conhecimento dos Clientes
- Conhecimento do Negócio
- Dados para tomada de decisão
- Conhecimento do Mercado
O mais curioso é que growth tem muito a ver com o item 1, o processo, e quando pensamos em criatividade, normalmente direcionamos nosso olhar para algo menos enquadrado, menos processual.
Por exemplo, uma das formas que o processo ajuda na criatividade é porque parte dele tem a ver com documentação de hipóteses e experimentos anteriores. Uma vez que você já sabe o que funcionou ou não, precisa ir além e pensar em coisas diferentes. Combinar esse processo com os demais aspectos, trazendo a visão dos participantes do time, costuma resultar em mais criatividade.
Acho relevante também mencionar que apesar da criatividade ser importante para pensar coisas que outros players ainda não tenham feito, nem sempre o crescimento está em algo “diferentão”. É comum ter muita low hanging fruit escondida dentro do conhecimento dos clientes, por exemplo.
RC: Quais são as principais métricas e indicadores para mensurar os resultados com growth? Por quê?
TD: Um dos passos para começar a desenhar uma estratégia de growth é definir qual é a métrica em que você quer focar. No GLA, a gente chama essa métrica de “Métrica da Obsessão”, mas existe também um framework internacional conhecido, da “North Star Metric”.
Como esse é um dos fundamentos da estratégia, não é possível dizer de antemão quais são as métricas e indicadores, porque dependem muito desse objetivo.
Em termos práticos: quando vamos atuar em growth precisamos saber o que estamos buscando naquele período, normalmente entre 3 a 6 meses. No que realmente vamos focar? Em geral, você chega nessa métrica esmiuçando seus KPIs atuais e seus objetivos de negócios.
Vamos supor que, ao fazer esse exercício, seu time de growth entendeu que um ponto específico da jornada do cliente, de convidar amigos para usar o produto com eles, é o ponto que precisa de mais atenção (porque é o melhor indicador de que o usuário continuará usando o produto e pagará por ele, que é o objetivo de negócio mais relevante agora).
Vocês trabalharão com esse objetivo em mente, metrificando quantos e qual % dos clientes estão passando por essa etapa, e olharão as métricas que fazem parte dessa jornada, que a complementam. Lembrando sempre que, em se tratando de growth, as métricas podem estar em qualquer etapa da jornada: seja aquisição, retenção, engajamento, recompra…
RC: Muitos profissionais de Marketing e Conteúdo focam na produção de bons conteúdos, mas não sabem muito bem como transformar isso em resultados que levem ao crescimento do negócio. Como aliar a criação de conteúdo com growth?
TD: Existem muitas ferramentas disponíveis para trazer mais informações para os profissionais de marketing sobre a ligação do conteúdo que produzem com os resultados. O primeiro passo é coletar dados, e o básico para isso é sempre o Google Analytics e o Google Search Console, onde já dá para ter muito entendimento do quanto o conteúdo está trazendo de tráfego e conversões, além da construção da marca nos mecanismos de busca.
Dá para adicionar também uma camada de ferramentas de mapa de calor, por exemplo, para entender como o leitor está interagindo com o conteúdo.
A mesma mentalidade que aplicamos para formular hipóteses e testá-las em canais e em mudanças no produto pode ser aplicada para a construção de conteúdo também. Coisas como “se eu adicionar uma ferramenta interativa após os primeiros 2 parágrafos desse texto, conseguirei captar X% mais leads vindos desta página?” são bem possíveis de serem feitas.
Um outro ponto importante é lembrar que as jornadas não são lineares e que a gente nem sempre consegue medir o impacto das ações somente com base no que vemos nas ferramentas. Por isso, conhecer o cliente, o produto e o mercado é importante também num viés mais qualitativo.
Um exemplo prático para ilustrar: nós vemos poucas assinaturas da nossa plataforma vindo diretamente do nosso podcast Deep Growth quando olhamos o Google Analytics. Por outro lado, quando conversamos com nossos assinantes, vemos que quase a totalidade deles é ouvinte do nosso podcast. Se a intenção do seu conteúdo for aumentar a autoridade e não fazer uma venda final imediata, a forma de você pensar growth e pensar as métricas relacionadas será diferente.
RC: Quais são os principais desafios enfrentados por profissionais de marketing em relação a growth? Quais são suas dicas para vencer esses desafios?
TD: Profissionais de marketing possuem backgrounds diversos, assim como os de growth, então varia um bocado. Mas em linhas gerais, tem um lado de saber pensar de forma mais analítica, que é bem importante.
Isso não significa ser a rainha ou rei de todas as equações, mas conseguir olhar criticamente para informações e fazer conexões lógicas. Um outro ponto é esse de seguir o processo de experimentação, ter a rotina de fazer isso com o time com constância e em alto volume.
Fazer mais experimentos, em volume mesmo, gera mais resultado do que querer fazer poucos “de qualidade”. Isso não significa que você não possa combinar isso com fazer algumas outras coisas sem testar. Você só precisa ter consciência do que você está fazendo e com qual objetivo.
Para treinar a parte analítica, minha dica é ter o máximo de contato possível com relatórios e números. Você pode baixar decks de pitches de startups e tentar entender o que estão mostrando, procurar benchmarks do seu mercado e tentar correlacionar os números. Coisas assim te ajudam a ir juntando os números a uma história que é contada, e ir treinando seu olhar para isso.
Para ficar melhor em seguir o processo, a dica é colocar em prática mesmo. Como todo hábito, é preciso esforço no início. Mas o resultado se paga, e muito.
RC: Na sua opinião, quais são as principais tendências em growth que os profissionais devem ficar de olho para os próximos anos?
TD: Tem ficado muito claro que depender somente de aquisição de clientes, principalmente através de mídia paga, pode ser um entrave importante para o crescimento de diversos negócios, dado o custo crescente desse formato.
Dito isso, acho que a principal tendência é a solidificação do conceito de growth para além da aquisição e da busca por canais mais proprietários de audiência. Dentro dessa questão dos canais proprietários existem temas como a criação de ferramentas e conteúdos mais interativos, o produto como canal de aquisição e community-led growth, que são bem relevantes.
Outro ponto a considerar é que as ferramentas de Inteligência Artificial estão cada vez mais acessíveis, com muitas soluções surgindo na área de criação de conteúdo. Usá-las para fazer a parte mais operacional do trabalho, sabendo como realmente complementar o material com diferenciais que os tornem únicos é um caminho interessante.
Temos também o crescente avanço dos formatos verticais e curtos em vídeo, com o TikTok começando a dominar algumas regiões com o mecanismo de busca. Para além do formato em si, é importante pensar como produzir bom conteúdo em escala, que é o principal formato de crescimento dentro de redes sociais.
RC: O que mais os leitores podem esperar de nossa Jam Session?
TD: Um bate-papo descontraído, com muita troca de experiência prática e real, para quem quer ter um marketing com mais resultados, trazendo a prática de growth para o dia-a-dia.
Clique aqui para se inscrever na Jam Session com Tahiana D’Egmont e comece 2023 com muita bagagem para fazer sua marca crescer!
Perguntas frequentes
Como definir a métrica principal para uma estratégia de growth?
A Growth Leaders Academy chama de "Métrica da Obsessão", conhecida internacionalmente como North Star Metric. Você define esmiuçando KPIs atuais e objetivos de negócio, focando em um ponto específico da jornada do cliente por 3-6 meses. Por exemplo, se o objetivo é retenção, pode focar na métrica de convites entre amigos para usar o produto juntos.
Por que fazer muitos experimentos é melhor que poucos de alta qualidade?
Tahiana explica que fazer experimentos em alto volume gera mais resultados que poucos "de qualidade". O processo de experimentação constante com o time, documentando hipóteses e resultados anteriores, ajuda a ir além do que já funcionou e pensar em soluções diferentes. Isso não impede outras ações sem teste, desde que você tenha consciência do objetivo.
Como medir o impacto real do conteúdo no crescimento do negócio?
Combine ferramentas quantitativas como Google Analytics e Search Console com análise qualitativa. O podcast Deep Growth da GLA mostra poucas conversões diretas no Analytics, mas quase todos os assinantes são ouvintes. Use mapas de calor para interação, teste hipóteses como adicionar ferramentas interativas, e lembre que jornadas não são lineares.
Quais habilidades um profissional de marketing precisa desenvolver para growth?
Duas principais: pensamento analítico para olhar criticamente informações e fazer conexões lógicas, e disciplina para seguir processos de experimentação com constância. Para treinar análise, estude decks de startups e benchmarks do mercado. Para processos, pratique criando hábitos de experimentação, pois o esforço inicial compensa muito nos resultados.
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