A consolidação da Apple no mercado: como seguir o exemplo da multinacional para fidelizar clientes?

TL;DR

O artigo lê a consolidação da Apple pela fidelidade da base: compra da linha, boca a boca e forte vínculo com o lançamento do iPhone. Da história do Apple I em 1976, extrai táticas adaptáveis: autoridade por conteúdo e inovação que o concorrente queira copiar.

  • Por que importa: fidelidade reduz dependência de desconto permanente.
  • Na prática: mostre expertise no nicho com conteúdo além da oferta.
  • Ponto de atenção: o texto pede adaptar a tática à sua realidade em vez de clonar a Apple.
  • Conclusão: construa valor percebido antes de testar preço premium.

Sediada na Califórnia, a Apple é uma das empresas mais valiosas do mundo, sendo a primeira da história a atingir um valor de mercado de um trilhão de dólares.

Como todo mundo — ou a maioria — já sabe, a Apple comercializa dispositivos eletrônicos, incluindo Macs, iPods, iPhones e iPads e softwares que vão de simples aplicativos à sistemas operacionais complexos.

Nessa realidade, muitas pessoas que consomem a marca são muito fiéis e procuram comprar toda a linha de produtos.

Eles são tão conectados com a Apple que acabam fazendo marketing boca a boca por conta do valor agregado e estão dispostos a pagar o preço que for quando sair uma nova versão do iPhone, por exemplo.

Entenda melhor sobre como a Apple se consolidou no mercado e como ela fideliza seus clientes.

Neste post 8

A trajetória da Apple

Antes de começar a falar sobre a estratégia da empresas e para entender um pouco mais sobre ela, vamos nos contextualizar e acompanhar o lançamento dos seus primeiros produtos.

Apple I

O computador original da Apple, também conhecido como Apple I, foi o primeiro lançamento da empresa, em 1976.

O Apple I começou a ser comercializado em julho de 1976 e custava $666 dólares. Foram vendidos cerca de 175 unidades em 10 meses. Há quem diga que foi o primeiro computador pessoal a ser vendido pronto, 100% montado.

Em 2014 um desses computadores foi vendido por 905 mil dólares em um leilão nos EUA.

Macintosh/Apple II

O Apple II foi o primeiro computador pessoal a fazer sucesso no mercado. O Macintosh, lançado em 1984, introduziu a interface gráfica moderna do mainstream.

Custava cerca de US$2495,00 e foi anunciado em um comercial dirigido  por Ridley Scott, chegando a vender 70.000 unidades naquele ano.

IMac G3

Lançado em agosto de 1998, o iMac foi o computador que estabeleceu o nome “Apple” no mercado e contribuiu para a recuperação financeira da empresa, que estava à beira da falência no final dos anos 90.

Ipod

Em outubro de 2001 foi lançada a primeira geração do iPod. Não foi um sucesso imediato, uma vez que só era compatível com o Mac. Assim, a segunda geração do Ipod foi lançada em 2002 e feita para ser compatível com o Windows.

Foi apenas em 2004 que o iPod começou a dominar o mercado e lançou outras versões diferentes, incluindo o iPod Mini e mais tarde, o Nano.

iPhone

O iPod colocou a Apple em uma trajetória ascendente, mas foi o iPhone, lançado em junho de 2007, que fez com que a marca atingisse patamares jamais alcançados antes.

Vendido a partir de $499 dólares, o iPhone revolucionou o design e a função dos smartphones. Até os dias atuais foram lançados 18 iPhones diferentes e vendidos mais de 1,2 bilhões de aparelhos.

Ipad

O iPad foi lançado no ano de 2010 e tentou reinventar os computadores como dispositivos móveis touch. Até hoje já foram lançados 16 modelos diferentes do iPad e vendidos mais de 350 milhões de aparelhos ao redor do mundo.

A campanha de lançamento não mencionou funcionalidades técnicas do aparelho ou preços em nenhum momento, apenas mostrou o produto sendo usado. A estratégia foi retratar alguém relaxando em seu sofá usando o Ipad, sem ao menos dizer o que era o produto, apenas foi mostrado como usá-lo.

O que todos esses produtos têm um comum? A inovação que representaram. Todos eles revolucionaram seus nichos de mercado.

Posicionamento de mercado

Enquanto o posicionamento de mercado da Microsoft é o conhecimento, a Apple se posiciona por ser icônica e inovadora. Philip Kotler descreve o posicionamento de marca como:

A ação de projetar a oferta e a imagem da empresa para que ela ocupe um lugar diferenciado na mente do público-alvo. O objetivo é posicionar a marca na mente dos consumidores a fim de maximizar a vantagem potencial da empresa.”

E a Apple faz isso muito bem: fixa seus produtos na mente do consumidores de forma positiva e lucra muito com isso.

Você precisa ter em mente: O que eu quero que vá a cabeça das pessoas ao pensar na minha marca?

Valor Simbólico da marca

A Apple nunca precisou de campanhas elaboradas, propagandas e promoções de lançamento para vender seus produtos. Muito pelo contrário, o preço baixo nunca foi uma estratégia da empresa, visto que seus produtos sempre foram caros e, mesmo assim, sempre venderam.

O poder simbólico da Apple é mais forte que o discurso publicitário. Mesmo após 11 anos do lançamento do primeiro iPhone, as pessoas ainda fazem fila e acampam nas portas das lojas para esperar o lançamento do novo modelo.

As únicas coisas que a Apple faz no período de lançamento são:

  • Apresentar o aparelho (o que desperta desejo na população);
  • E anunciar a data de lançamento oficial (o que leva as pessoas a fazerem filas na porta das lojas).

O valor simbólico que a Apple representa é muito significativo e é o que acaba diferenciando-a de seus concorrentes. A empresa fabrica os produtos, mas o que os consumidores compram é a marca.

A Apple não compete no preço, ela compete no valor da marca.

Estratégias publicitárias

Muitas pessoas acreditam que quanto maior for gasto em publicidade, mais retorno a empresa terá. Mas a Apple conseguiu provar justamente o oposto (apesar de poucas empresas poderem se dar ao luxo de fazerem o mesmo)!

As propagandas da Apple não focam nas funcionalidades dos produtos em si, mas sim como as pessoas interagem com eles.

Hoje a empresa conta mais com a propaganda boca a boca feita pelos embaixadores da marca e em aparecer na mídia nas mãos de influencers, como a família Kardashian.

Phil Schiller, VP de Marketing da Apple, afirmou que em 2007, após o lançamento do iPhone, eles decidiram não pagar por nenhum tipo de propaganda durante um período de tempo. “Nós não precisávamos” afirmou Schiller, alegando que tudo o que já falavam sobre o iPhone nas mídias era mais efetivo que qualquer propaganda.

Tenha em mente o que os responsáveis pelo marketing da Apple tem: menos às vezes significa mais.

Experiência do usuário

O sucesso da Apple se dá em grande parte à sua obsessão com a experiência do usuário. Focada majoritariamente no design, a empresa constrói todas as partes de um produto, incluindo o hardware, o software e os serviços online focando no usuário final.

Um computador da Dell, por exemplo, pode ter um chip da Intel e um sistema operacional fornecido pela Microsoft.

Na Apple, todos os produtos são construídos 100% internamente, o que sempre permitiu que a empresa construísse produtos elegantes e fáceis de usar.

Comunidade de embaixadores da marca

A Apple conquistou uma legião de fãs e seguidores como poucas outras empresas conseguiram na história.

Em seu comercial de 1997, a campanha “Pense Diferente” fez com que o público se identificasse com a marca. Partir para o emocional é uma das melhores estratégias para se colocar na mente das pessoas.

Até hoje — que outras empresas inclusive já são mais inovadoras que a Apple em termos de tecnologia —  ter o iPhone mais recente ainda representa para muitos a sensação de conseguir o que há de mais novo e moderno no mercado.

Afinal, ter um produto da Apple é, acima de tudo, uma representação simbólica. O status que um iPhone da nova geração carrega é maior do que o de qualquer outro celular.

A estratégia da Apple

Quando você ouve alguns profissionais de marketing falarem sobre a Apple, você ouve sobre os benefícios emocionais associados à marca:

  • o design esteticamente agradável;
  • o valor simbólico agregado;
  • e o senso de pertencimento provocado ao ver pessoas que você admira e acompanha usando os produtos da Apple.

Ou sobre a característica mais importante dos produtos: a funcionalidade. Usar um produto da Apple parece completamente natural, intuitivo e transparente. A publicidade deles contrasta diretamente com muitos de seus concorrentes, seguindo justamente a linha da simplicidade técnica de seus produtos.

Tudo sobre a marca sugere que menos é mais. A interface é limpa, o design é tão intuitivo que o manual de instruções é quase inexistente e nosso primeiro instinto sobre como fazer algo com um produto da Apple é quase sempre certo.

Como fidelizar clientes como a Apple

Se prove necessário na vida das pessoas

Você não precisa necessariamente do novo iPhone, as pessoas apenas acreditam que sim, seja por senso de pertencimento social, por ser muito fã da tecnologia da Apple ou por qualquer outro motivo.

Consiga influencers

Não precisam ser Kardashians, basta ser alguém que converse com o seu público, como um youtuber local ou uma blogueira da sua cidade.

Dê às pessoas o que falar

Os consumidores precisam falar da sua marca em si, não apenas de seu produtos. Um jeito legal de fazer isso é atrelando sua marca à alguma causa social ou publicar conteúdos que tragam engajamento.

Crie uma imagem positiva

Use estratégias de marketing que não são voltadas apenas para a venda de seus produtos. Uma forma efetiva e acessível de fazer isso é se mostrar um especialista em seu nicho de mercado através do marketing de conteúdo.

Não tenha medo de inovar

Faça algo que seus concorrentes vão querer copiar!

Seguir o exemplo de empresas grandes é uma ótima forma de desenvolver estratégias para o seu negócio. Mesmo que seja praticamente impossível fazer as coisas da mesma forma que a Apple fez, tente adaptar as táticas a realidade do seu negócio.

Leia também sobre as lições de marketing do Spotify e veja como você pode se inspirar nelas para aplicar em sua estratégia marketing digital!

Perguntas frequentes

Como o artigo descreve o cliente Apple?

Como consumidor muito fiel, que busca a linha inteira de produtos e faz marketing boca a boca pelo valor agregado no lançamento do iPhone. Isso é a caracterização do texto, sem survey anexada. Use como hipótese de lealdade a testar no seu público. Meça recompra e indicação antes de subir preço.

Que marco histórico o texto usa?

O lançamento do Apple I em 1976, apresentado como primeiro computador da empresa. Serve só para contextualizar a trajetória antes das táticas de fidelização. Não transforma o post em balanço financeiro atual. Siga para as lições de imagem e inovação.

O que um negócio menor pode copiar segundo o artigo?

Estratégias de imagem positiva via marketing de conteúdo que demonstre especialidade no nicho, e inovação que o concorrente queira copiar. O próprio texto diz ser praticamente impossível fazer igual à Apple e pede adaptação à realidade do negócio. Escolha uma prova de expertise publicável. Depois teste um diferencial difícil de imitar barato.

Fidelizar é só vender mais produtos da linha?

No enquadramento do artigo, a linha completa aparece junto com valor agregado e boca a boca, longe de meta isolada de upsell. Sem percepção de valor, empurrar SKUs parece pressão. Construa a narrativa de uso e suporte. Só então ofereça o próximo produto da família.

MM Matt Montenegro