Confira 11 campanhas voltadas para a mulher que trazem importantes reflexões

TL;DR

O artigo reúne 11 campanhas que tratam empoderamento feminino com tensão criativa e risco reputacional real. Os casos vão de Skol e Always a UN Women e Quem disse Berenice.

  • Por que importa: marcas entram em pautas de gênero e precisam de mensagem coerente com a prática.
  • Como funciona: cada peça usa um dispositivo criativo para expor estereótipo ou reabrir um clichê.
  • Em detalhe: Autocomplete Truth da UN Women partiu de buscas reais no Google que revelavam sexismo.
  • Na prática: Like a Girl (Always) confronta o uso de "como uma garota" como insulto.
  • Conclusão: use esses cases para briefing ético e evite copiar estética sem compromisso interno.

O empoderamento feminino é um tema cada vez mais em pauta. A luta feminista e sua reivindicação pelos direitos das mulheres, o fim da violência contra a mulher e a paridade entre sexos é cada vez mais percebida e valorizada socialmente.

Como todos os diálogos e tendências sociais, esse também é um tema explorado e que vem sendo mais usado em campanhas publicitárias.

De fato, um report feito pelo Facebook mostrou que o empoderamento feminino será uma das principais temáticas de discussões online em 2018. E faz muito sentido que as empresas também façam parte dessas discussões, certo?

E muitas marcas já entenderam que, para dialogar com o público e posicionar-se de forma consciente atualmente, precisam estar atentas à essa tendência!

No Dia Internacional da Mulher isso torna-se ainda mais evidente. Muitas empresas querem fazer homenagens ou campanhas orientadas para essa data. Mas é preciso muito cuidado em seu planejamento.

O Dia Internacional da Mulher não é uma data comemorativa.

Ele foi escolhido historicamente para celebrar as mulheres, representar a luta e reivindicações feministas e promover reflexões sobre questões de desigualdade de gênero.

Vai muito além de dar uma flor e não tem nada a ver com valorizar a “delicadeza feminina”.

É preciso que sua empresa queira realmente promover uma ação relevante na data. Mas isso não é suficiente. Você e sua equipe devem compartilhar desses valores, agir de acordo com eles e pensar toda a imagem da sua marca.

Não use estereótipos e não pense em vendas. Foque em realmente trazer um impacto positivo com sua ação.

Se você quer entender mais sobre marketing para mulheres eu recomendo fortemente a leitura deste conteúdo.

Quer bons exemplos de campanhas incríveis baseadas no empoderamento feminino? Veja as 11 melhores campanhas dos últimos tempos e como as marcas usaram as mensagens de forma positiva e impactante:

Neste post 11

1. Reposter — Skol

A Skol já vem reposicionando sua imagem de mercado há algum tempo quando se trata de temáticas relacionadas aos direitos humanos. Nessa campanha, a marca fez exatamente isso em relação às mulheres.

Como a maioria — para não dizer todas — as marcas de cerveja, a Skol usava a imagem da mulher sempre de forma subjugada, seminua e servindo em suas propagandas.

A marca começa o vídeo afirmando logo: “O mundo evoluiu e a Skol também. Isso não nos representa mais.”

Foi com essa proposta que 6 ilustradoras foram convidadas a recriar antigos pôsteres da marca a partir do empoderamento feminino, com a proposta de repensar suas campanhas e dialogar com o público de uma maneira melhor. Confira:

2. The Autocomplete Truth

Essa campanha, feita pelas Nações Unidas, começa recapitulando alguns episódios marcantes na história do feminismo, apontando conquistas por direitos, eventos significativos e que representaram conquistas para as mulheres.

A mensagem final do vídeo começa a ser digitada no buscador do Google, com os dizeres “mulheres deveriam”. Porém, as sugestões providas pelo buscador (que são baseadas nas buscas mais feitas pelos usuários) mostram resultados desanimadores:

  • mulheres deveriam ficar em casa
  • mulheres deveriam ser escravas
  • mulheres deveriam ficar na cozinha
  • mulheres deveriam não poder falar na igreja

Ao apontar esses resultados, a campanha termina sua busca com “mulheres deveriam ser vistas como iguais atualmente”.

3. More Women — ELLE UK

Uma campanha simples e efetiva elaborada pela revista Elle do Reino Unido mostra, por meio do recorte de imagens oficiais, a falta de mulheres em papéis de liderança em diferentes setores, propondo que é necessária uma maior representatividade feminina nesses espaços.

4. Like a Girl — Always

A Always convidou algumas pessoas para ficarem em frente a câmera e responderem a alguns comandos. O que havia em comum entre todos era que eles tinham o complemento “como uma garota” ao final.

A pergunta foi inicialmente feita à algumas mulheres e homens. Ao ouvirem comandos como “corra como uma garota” ou “lute como uma garota”, eles simularam movimentos desajeitados e delicados.

Os mesmos comandos foram dados à meninas. Elas então simularam corrida, lutas e outras ações de forma normal.

Quanto questionados sobre o que significava “como uma garota”, muitos ficaram confusos. Afinal, o que isso deveria significar?

A mensagem do vídeo é que humilhar uma pessoa ao compará-la com uma garota é uma desvalorização das mulheres. Mulheres podem fazer tudo que elas quiserem, seja lutar, correr ou arremessar uma bola, por exemplo. Confira a mensagem:

5. Girls Can — CoverGirl

A campanha da CoverGirl, uma grande marca de cosméticos americana, foi criada em 2014. No vídeo, personalidades como Queen Latifah, Ellen Degeneres e Pink aparecem falando frases que já ouviram sobre não poderem fazer algo por serem mulheres, como “Mulheres não podem cantar”.

Depois, elas mostram como isso é uma mentira e que, mesmo sendo difícil, as mulheres podem (girls can) fazer o que elas quiserem fazer.

6. No Rights. No Women

Esse é um incrível exemplo de como uma campanha online e a realidade se misturaram de forma positiva.

Uma organização feminista convidou Leo Burnett — uma renomada agência de publicidade — para organizar alguma ação sobre o tema.

Eles fizeram um recorte bem diferente. No Líbano, as mulheres tinham uma série de direitos negados, eram consideradas meio-cidadãs e a lei não as protegiam em muitos casos.

Pensando nisso, a agência propôs um movimento para que as mulheres “se transformassem em homens” para reivindicar direitos iguais. Mulheres no mundo todo começaram a usar bigodes em suas fotos de perfil e mudar o gênero para “masculino” no Facebook.

Quando o buzz estava instalado, o motivo foi explicado. Assim, a pauta das mulheres libanesas começou a ser tratada em todo mundo, inclusive por grandes veículos de comunicação, o que culminou em mudanças de lei por parte do governo libanês. Confira a história completa:

7. Real Beauty — Dove

Nessa campanha, a Dove quis mostrar como a autoimagem feminina — em muito prejudicada pela alta cobrança da sociedade — é distorcida e prejudica a autoestima.

Para isso, ela convidou um cientista forense para desenhar o retrato falado de várias mulheres sem vê-las antes. Só que, primeiro, ele desenharia o retrato a partir da fala da mulher sobre si mesma, e depois outro retrato quando outra mulher falasse da primeira.

Os resultados mostram como a autocobrança faz com que as mulheres vejam-se de forma negativa, enquanto as pessoas as veem de forma positiva. Confira:

8. Princess Machine — Goldie Box

A marca de brinquedos Goldie Box, que propõe uma nova linha de brinquedos “para meninas”, faz isso de uma forma bem divertida.

O vídeo começa com algumas meninas entediadas vendo na TV uma propaganda de um brinquedo para meninas princesas. Elas então começam a brincar e, com vários brinquedos considerados para meninas, constroem uma grande estrutura que funciona em forma reativa de cadeia para, no fim, mudar a TV de canal.

9. Make What’s Next — Microsoft

A Microsoft fez uma ação diferente de recrutamento e orientada especialmente para mulheres.

O vídeo traz histórias de garotas que gostam de tecnologia e ciência e contam suas ambições, como achar a cura contra o câncer de mama ou resolver os problemas da mudança climática. A Microsoft criou um ambiente estimulante para que elas pudessem expressar esse desejo.

No entanto, uma estatística pessimista é apresentada para elas: apenas 6.7% das mulheres formam com um diploma em ciência, tecnologia, engenharia ou matemática. Ou seja, as chances de serem elas a resolverem esse problema são pequenas.

Mas elas mostram que querem mudar isso. Assista a campanha:

10. É pra mim! — Quem disse Berenice

“A vida das mulheres tem não demais.” É com essa frase que a Quem disse Berenice propõe que as mulheres digam “não” para os “nãos” que escutam.

Assim, várias personagens do vídeo riscam o “não” de frases como “Maquiagem não é para mim” e “Pagar as contas não é para mim”.

De uma forma leve, descontraída e com mulheres muito diferentes (o que mostra a preocupação da marca com a representatividade) somos convidados a refletir sobre o empoderamento feminino. Confira:

11. Woman Interrupted — Woman Interrupted App

O aplicativo “Woman Interrupted” já foi criado com uma proposta bem clara dentro da pauta feminista: ele identifica, por meio da gravação de conversas, quantas vezes uma mulher teve sua fala interrompida por um homem.

Mulheres são oprimidas todos os dias e isso pode ser notado em vários aspectos. Um deles é o chamado de “manterrupting” que, em tradução para o português, significa interrupção masculina.

A campanha de lançamento do aplicativo mostra o quão comum isso ocorre, desde programas de TV até debates políticos, e propõe que as mulheres devem ter suas próprias vozes.

E você, conhece mais algum exemplo de como uma marca valorizou as mulheres por meio de suas campanhas? Conta pra gente nos comentários!

Perguntas frequentes

Quais campanhas o artigo destaca?

São 11 peças, entre elas Reposter (Skol), The Autocomplete Truth, More Women (ELLE UK), Like a Girl (Always), Real Beauty (Dove) e É pra mim! (Quem disse Berenice). A seleção mistura anunciantes brasileiros e internacionais. O fio comum é provocar reflexão sobre gênero em vez de limitar a peça a uma homenagem de calendário.

O que foi The Autocomplete Truth?

Série associada à UN Women, criada com Memac Ogilvy & Mather Dubai, que usou buscas genuínas no Google para expor sexismo e discriminação. A data de referência das buscas citada pela UN Women é 9 de março de 2013. O artigo descreve o vídeo que termina digitando sugestões negativas sobre mulheres.

Qual a ideia central de Like a Girl?

A Always pediu que pessoas executassem ações "como uma garota" e mostrou a diferença de leitura do termo. A mensagem, no relato do artigo, é que usar essa comparação como humilhação desvaloriza mulheres. Serve de referência para campanhas que atacam estereótipo linguístico com prova em vídeo.

Como usar esses cases sem cair em aproveitamento vazio?

Trate-os como estudo de dispositivo criativo e de risco reputacional, nunca como template automático de março. Confira se a marca tem políticas e produtos alinhados à tese antes de entrar na pauta. Prefira mensagens específicas e auditáveis a slogans genéricos de empoderamento.

MM Matt Montenegro