O relato marca o Day One em que a autora deixa um cargo sênior de marketing em multinacional para tentar a vida de nômade digital. A virada começa com um blog de viagem e um plano de reserva, não com um salto sem rede.
- Por que importa: o texto trata felicidade como propósito diante da estabilidade formal.
- Como funciona: a leitura sobre nômades digitais e o minuto de coragem vira o gatilho da mudança.
- Em detalhe: surgem o blog Jornada Kamoi, roteiros, ebook e palestras enquanto a transição amadurece.
- Na prática: a autora diz ter poupado 7 anos no corporativo para aguentar até 2 anos sem renda.
- Conclusão: planejar, estudar e guardar dinheiro vem antes de largar tudo, não só viajar por impulso.
Eu sempre quis viajar mais, mas não sabia como. O ano era 2025 e eu estava infeliz, mas não sabia o porquê.
Ganhava bem, tinha um emprego “fixo” com estabilidade e um cargo alto em uma multinacional — trabalhava como analista sênior de marketing, após terminar o programa de trainee. Mas não era feliz. Ingratidão? Há pessoas que disseram que sim.
Acredito que a felicidade é muito mais que ter dinheiro para ter uma vida digna. Felicidade está relacionada a propósito e sentido de vida. Fazer o que ama sim, se sentir realizado sim.
Lembro quando li o blog do casal Eme e Jaque, os nômades digitais, no qual falavam sobre “um minuto de coragem” que tiveram para largar tudo e empreender. Arriscar, viajar e trabalhar ao mesmo tempo. Lembro que foi minha carta de alforria ler sobre o que são os nômades digitais e como eu poderia ser uma. Esse foi o dia que decidi mudar de vida.

Foto: @priscilakamoi
Na empresa onde trabalhava, um colega que não se dava muito bem comigo tinha se tornado meu chefe. Quando as coisas estão indo bem em nossa vida, é comum que a gente não reflita, não repense e acabe se acomodando.
Mas quando tudo está indo mal e bate o desespero, essa é a hora de sair da zona de conforto e mudar. Eu estava triste e decidi que não fazia sentido o que eu fazia lá. Eu queria ser diferente, deixar um legado, criar minha marca, minha imagem pessoal e fazer a diferença.
Por algum tempo, essa vontade de mudança ficou martelando na cabeça. Sabe aquela sensação de que você está deixando a vida passar em piloto automático enquanto assiste todo mundo feliz nas redes sociais? Não gosto de dizer que “nada fazia sentido”, mas, honestamente, tudo parecia meio cinza e sem graça demais para continuar do mesmo jeito. O engraçado é que todo mundo dizia que eu era sortuda, mas por dentro eu me sentia distante de qualquer sorte. Curioso como expectativa dos outros nunca encaixa direito no nosso quebra-cabeça, não é?
Queria me expressar pro mundo, expor o que eu sentia e tinha vontade, minhas felicidades, minhas dores. Comecei a pensar formas de ganhar dinheiro online, e aí surgiu o meu blog: Jornada Kamoi: Viagens e Felicidade.
Além do blog, que comecei como hobby para escrever relatos semanais de viagens sem fins lucrativos, criei também minha marca de camisetas, que não existe mais.
No começo, havia muitas incertezas e não sabia ao certo se esse estilo de vida daria certo. Após dois anos, decidi vender a empresa de camisetas e as coisas foram se ajeitando lentamente.
Em várias noites, perdi o sono pensando em contas, boletos e no tal “seguro desemprego emocional” (se é que isso existe). Alguns amigos torceram o nariz, outros tentaram dar conselhos meio enviesados, mas ninguém realmente entendia o tamanho do frio na barriga. Nem sempre tinha certeza do próximo passo; às vezes, nem o primeiro parecia claro. Só segui em frente porque o medo de me arrepender era, de longe, maior do que o medo de fracassar.
Naquela época, ninguém sabia ao certo como ganhar dinheiro com blog, e eu fui descobrindo aos poucos. Comecei a fazer roteiros personalizados de viagens, escrevi o ebook Uma Vida Notável e gravei um programa online de empreendedorismo.
Além disso, comecei a dar palestras sobre felicidade, propósito e sentido de vida, e me tornei sócia numa empresa de consultoria empresarial de negócios, em Curitiba, onde realizamos plano de negócios, estudo de viabilidade, gestão financeira, plano de marketing e pesquisa de mercado.